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Gastronomia

Cozinhas invisíveis crescem no Rio para reduzir custos e atender demanda de delivery

Modelo de "dark kitchen" permite testar novos negócios com menos investimento em salão, decoração e equipe de atendimento.

Por Redação Diário Local

O modelo de cozinha invisível, conhecido como "dark kitchen", está em expansão no Rio de Janeiro por permitir a produção de alimentos focada exclusivamente em delivery e retirada. Sem a necessidade de manter um salão para atendimento ao público, o formato reduz custos com decoração, louças e equipes de atendimento, além de possibilitar o uso de imóveis mais em conta.

A estrutura permite que uma mesma cozinha abrigue diferentes marcas de forma flexível. Em Botafogo, na Zona Sul do Rio, por exemplo, o chef Gabriel Carvalho utiliza o mesmo espaço para atender a marca de comida saudável Tatim e o negócio de sanduíches japoneses Rio Sandô.

Por que o modelo de cozinha invisível cresce?

A tendência, que ganhou força mundial a partir dos anos 2010 devido à alta dos aluguéis em grandes metrópoles, foi impulsionada pelo crescimento das plataformas de entrega por aplicativos. No Brasil, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) indica que 78% dos estabelecimentos utilizam serviços como o iFood.

Para o empreendedor, a principal vantagem é a capacidade de testar novos conceitos gastronômicos antes de assumir a estrutura completa de um restaurante tradicional. O investimento inicial reduzido e a otimização do tempo ocioso da cozinha tornam o modelo atrativo para novos negócios.

O setor tem registrado números expressivos. Segundo o Índice de Desempenho Foodservice (IDF), do Instituto Foodservice Brasil (IFB), o mercado de delivery respondeu por 26,6% do faturamento das empresas participantes em maio de 2026. O segmento registrou um crescimento de 34% nas vendas em comparação a maio de 2025.

Desafios da operação sem salão

Apesar das vantagens financeiras, a operação exige cuidados específicos com a logística. O chef Yasser Regis, sócio do Grupo Burguês, aponta que o tempo de entrega, o tipo de embalagem e o trajeto são os principais desafios para manter a qualidade do produto final.

Para mitigar riscos, o empreendedor relata a necessidade de realizar simulações de entrega em diferentes cenários, do mais otimista ao mais pessimista, garantindo que o alimento chegue em boas condições ao consumidor.

O presidente do Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio (SindRio), Fernando Blower, pondera que, embora a agilidade das dark kitchens seja um diferencial, é essencial que as plataformas exijam os alvarás e o licenciamento sanitário adequados para esses estabelecimentos.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.