IA reduz em até 50% o tempo para receber indenização de seguro
Tecnologia automatiza análise de documentos e reduz burocracia no processamento de sinistros, transformando uma espera de 25 a 30 dias em 5 a 10 dias.
Por Diário Local
A inteligência artificial está acelerando o pagamento de indenizações no mercado de seguros, reduzindo a burocracia que historicamente marca o processamento de sinistros. De acordo com levantamento da consultoria Bain & Company, seguradoras que implementam transformações completas na gestão de sinistros conseguem ganhos de produtividade de até 35%. Em seguros residenciais, a redução no tempo de processamento chega a 50%.
O avanço é especialmente relevante no momento em que o cliente mais precisa: quando ocorre o sinistro, ou seja, quando o risco previsto no contrato acontece, como um acidente ou o roubo do carro. Nesse cenário, menos etapas manuais, análise mais rápida de documentos e comunicação eficiente com o segurado fazem toda a diferença na experiência.
Na prática, a tecnologia consegue reduzir drasticamente prazos. Processos que hoje levam 25 a 30 dias podem ser reduzidos para 5 a 10 dias em casos mais simples, segundo Daniel Feldenheimer, sócio da Bain. Para o consumidor, esse ganho de velocidade é o benefício mais visível da transformação digital.
Além de acelerar a análise, a inteligência artificial melhora a qualidade da primeira interação com o cliente. A IA permite integrar diferentes etapas da jornada desde o início do atendimento, orientando o segurado de forma mais precisa e conectando serviços de assistência e regulação conforme cada situação específica.
Como a tecnologia funciona na prática
O Grupo MAG é uma das seguradoras que já utiliza inteligência artificial no aviso e análise de sinistros. A tecnologia identifica documentos faltantes, corrige inconsistências e coleta informações necessárias para a regulação, conforme explica Luís Henrique Fontes, diretor de tecnologia do Grupo MAG.
A IA consegue detectar ainda durante o aviso de sinistro documentos inadequados ou informações incompletas, permitindo que o segurado corrija pendências antes mesmo do início da análise formal. Segundo Fontes, essa capacidade de "entender melhor o cliente naquele momento e solicitar informações que vão agilizar a análise" torna a experiência mais fluida e mais rápida.
Com a identificação antecipada de falhas, reduz-se o retrabalho entre segurado e seguradora. A comunicação sobre aprovação ou negativa da indenização tende a ficar mais clara ao longo de todo o processo, evitando idas e vindas desnecessárias.
Por que poucas seguradoras conseguem escalar a tecnologia
Apesar dos avanços comprovados, poucas seguradoras conseguiram escalar o uso de inteligência artificial em toda a operação. Embora 78% das companhias que operam com seguros patrimoniais e de responsabilidade civil utilizem IA generativa em alguma medida, apenas 4% conseguiram expandir a tecnologia de forma abrangente.
O principal desafio, segundo Feldenheimer, é que muitas empresas ainda utilizam inteligência artificial para automatizar tarefas isoladas, sem redesenhar toda a jornada do sinistro. Essa abordagem fragmentada limita os ganhos potenciais.
Os maiores ganhos surgem quando a tecnologia é integrada aos sistemas e às bases de dados da seguradora e deixa de ser apenas uma iniciativa da área de tecnologia para se tornar parte da estratégia geral da companhia. Nesse cenário, a IA funciona como ferramenta estratégica, não apenas operacional.
Qual é o papel do ser humano nesse novo cenário
Mesmo com o avanço da automação, especialistas acreditam que inteligência artificial não deve substituir completamente a atuação humana nos casos mais sensíveis. A tendência é que processos mais simples sejam automatizados, enquanto sinistros de maior complexidade ou valor continuem passando pela validação de profissionais humanos.
Mecanismos de controle humano também devem permanecer para reduzir riscos de erro nas decisões. Essa combinação entre automação e supervisão humana é apontada como o caminho mais seguro para garantir qualidade e confiabilidade nas indenizações.
Para os especialistas, os primeiros efeitos da inteligência artificial no setor devem aparecer, de fato, na experiência do cliente, com processos mais rápidos e atendimento mais eficiente. Eventuais impactos sobre preços das apólices dependerão da evolução da tecnologia e do ritmo de adoção pelas seguradoras nos próximos anos.
