ONU pede proibição de armas autônomas guiadas por inteligência artificial em conflitos
Organização alerta que humanidade pode cruzar linha moral por falta de regulação sobre sistemas de ataques autônomos.
Por Redação Diário Local
A Organização das Nações Unidas (ONU) fez um apelo, nesta terça-feira (25), para que países em conflito não utilizem armas totalmente autônomas guiadas por inteligência artificial (IA). O objetivo é evitar que decisões de vida ou morte sejam tomadas por máquinas que não possuem capacidade de distinguir civis em zonas de guerra.
O alerta foi feito pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, em declaração conjunta com a presidente da Cruz Vermelha, Mirjana Spoljaric Egger. Segundo os líderes, a humanidade está próxima de cruzar uma "linha vermelha moral" com o risco de ataques autônomos de máquinas contra seres humanos.
Para conter o avanço dessa tecnologia sem controle, a organização pediu o início imediato de negociações para a criação de um instrumento juridicamente vinculante. Esse mecanismo estabeleceria proibições e restrições claras para o uso de sistemas de armas autônomas em escala global.
Guterres e Egger alertaram que a falta de regulamentação pode comprometer garantias do direito humanitário. Além disso, a ausência de regras dificultaria a responsabilização por ataques letais no futuro, deixando um cenário de incerteza jurídica para as próximas gerações.
Atualmente, sistemas totalmente autônomos já são operados por alguns exércitos, mas com funções específicas, como tecnologias antimísseis em navios de guerra. Contudo, ainda não há confirmação de que essas ferramentas tenham sido utilizadas para realizar ataques diretamente contra alvos humanos.
A preocupação com o papel da inteligência artificial cresce devido ao uso de tecnologias controladas por IA em diversos teatros de operações. Entre as áreas de conflito mencionadas estão a Ucrânia, o Sudão, a Faixa de Gaza, o Irã e a região do Golfo.
Uma reunião para discutir novas regras deve ocorrer na próxima semana, na cidade de Genebra, na Suíça. O encontro buscará debater possíveis mecanismos de controle diante do avanço dessas armações nos conflitos internacionais.
Os chefes da ONU e da Cruz Vermelha também apontaram a 7ª Conferência de Revisão da Convenção sobre Certas Armas Convencionais, em novembro, como um momento decisivo. A expectativa é que o evento seja uma oportunidade para os países avançarem na criação de um tratado internacional para regular o tema.
