Alemanha pode enfrentar déficit de 723 mil trabalhadores até 2029, aponta estudo
Escassez de mão de obra qualificada deve afetar setores como comércio, educação infantil e assistência social nos próximos anos.
Por Redação Diário Local
A Alemanha corre o risco de enfrentar um déficit de 723 mil trabalhadores qualificados em seu mercado de trabalho até o ano de 2029. O estudo foi divulgado nesta segunda-feira (7) pelo Instituto da Economia Alemã (IW), que projeta um aumento significativo na escassez de profissionais em comparação ao déficit de 370 mil vagas registrado em 2024.
O setor de comércio deve liderar a lista de carências, com uma projeção de 39,1 mil vagas sem preenchimento. Outras áreas que devem sofrer forte impacto com a falta de mão de obra incluem a educação infantil, com 29,9 mil postos, e a assistência social e pedagogia social, com 23,6 mil.
O setor de saúde também aparece entre os mais afetados pela falta de profissionais. O déficit estimado envolve 18,7 mil postos em enfermagem e cuidados de saúde, além de 16,3 mil vagas na área de fisioterapia.
Na construção civil, as instalações elétricas devem registrar uma carência de 17,4 mil trabalhadores. A análise do IW utilizou dados de cerca de 1.300 ocupações para projetar essa evolução do mercado de trabalho alemão para os próximos anos.
Por que a escassez deve aumentar?
A falta de mão de obra deve ser agravada pelo processo de aposentadoria de grande parte da população ao longo dos próximos anos. Ao mesmo tempo, a renovação da força de trabalho pode ser insuficiente, já que a Alemanha pode atrair menos trabalhadores do exterior.
A expectativa de uma recuperação da economia alemã também pesa nos cálculos dos economistas, pois a retomada tende a elevar a demanda por profissionais qualificados. Os autores do estudo ressaltam, ainda, que o déficit pode ser maior do que o previsto, pois o cálculo não leva em conta a tendência de queda nas taxas de natalidade.
Impactos no cotidiano
A carência de profissionais deve ser sentida diretamente na rotina dos cidadãos alemães. Segundo o especialista em mão de obra qualificada do IW, Alexander Burstedde, os problemas podem surgir em situações como a busca por vagas em casas de repouso ou na contratação de prestadores de serviços.
Para enfrentar o cenário, Burstedde defende que os políticos precisam aumentar os incentivos ao trabalho. Ele defende também a necessidade de promover uma maior imigração qualificada vinda de outros países da União Europeia (UE).
