Argentina acusa criminalmente empresa de energia por operar nas Ilhas Malvinas
Governo argentino apresentará denúncia contra a Navitas Petroleum e executivos por violação de legislação nacional no arquipélago.
Por Redação Diário Local
O governo da Argentina informou, nesta segunda-feira (07), que apresentará acusações criminais contra a empresa de energia Navitas Petroleum e seus executivos por operarem nas Ilhas Malvinas. A medida visa punir empresas que realizam atividades de exploração no arquipélago, território que é alvo de uma disputa de soberania entre a Argentina e o Reino Unido.
A decisão é um desdobramento de um anúncio feito pelo presidente Javier Milei na semana passada. Na ocasião, o mandatário afirmou que imporia sanções contra companhias petrolíferas que realizassem perfurações na região. Segundo comunicado da Presidência argentina, o ministro das Relações Exteriores, Pablo Quirno, formalizará a denúncia contra diversas subsidiárias, parceiras da Navitas e seus respectivos diretores.
A argumentação do governo argentino sustenta que as empresas violaram a legislação do país ao utilizarem licenças de exploração e produção de hidrocarbonetos concedidas pelo Reino Unido. As atividades ocorrem na Bacia Norte das Malvinas, área de interesse para a exploração de petróleo.
A intensificação da postura de Milei ocorre após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Trump afirmou, na última semana, que estava revendo a posição de Washington sobre o território, questionando se o Reino Unido teria capacidade de defender as ilhas atualmente.
Em resposta às movimentações, o presidente argentino mencionou os “ventos de mudança” e anunciou que enviará um projeto de lei sobre as ilhas ao Congresso nacional. Milei, que é aliado de Trump, sinalizou que o cenário internacional pode favorecer a reivindicação argentina sobre o arquipélago.
O Reino Unido, que controla as ilhas e as chama de Falkland desde 1833, afirmou que sua posição sobre o território é inabalável. O ministro das Relações Exteriores britânico, Ed Miliband, declarou que a soberania britânica é sustentada pelo direito à autodeterminação dos habitantes locais.
Para a autoridade britânica, o desejo dos moradores é o fator primordial e será defendido com determinação com base no direito internacional. Já o ministro da Defesa do Reino Unido, Wes Streeting, avaliou que as recentes declarações de Milei refletem apenas a política interna da Argentina.
A possível mudança de postura dos Estados Unidos em relação às Malvinas tem sido cogitada inclusive em tópicos analisados pelo Pentágono. O cenário de novas perfurações previstas para os próximos meses e as menções de Trump têm pressionado o tom diplomático da região.
