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Ucrânia

Brasileiro na Legião Internacional da Ucrânia relata ataques de mísseis e bombas

Thiago Morais da Silva Moita, que integra o batalhão desde março, revela ter passado por episódios de ataques ao local onde estava alojado após perder R$ 340 mil em apostas.

Por Diário Local

O brasileiro Thiago Morais da Silva Moita relatou ter escapado da morte em duas ocasiões diferentes desde que se alistou no exército da Ucrânia. O militar, que integrou a Legião Internacional de Defesa da Ucrânia desde março deste ano, afirmou que os ataques envolveram mísseis e bombardeios de caças russos.

Thiago decidiu ingressar nas forças ucranianas após perder mais de R$ 340 mil em apostas on-line no Brasil. Segundo o relato do militar, a primeira situação de risco extremo ocorreu logo após o término do treinamento militar, quando ele foi enviado para uma região considerada de alto risco.

Na ocasião, o brasileiro afirmou que um míssil atingiu a casa onde ele estava alojado. Ele relatou ainda que um caça russo passou pelo local e disparou três bombas na residência. Após o episódio, o militar conseguiu ser transferido para um novo batalhão.

Apesar da transferência, o risco persistiu em poucos dias. Thiago contou que a nova base militar também foi alvo de ataques, resultando na destruição do vilarejo onde estava alojado. O militar afirmou que, caso tivesse permanecido no local original, teria morrido.

Durante os bombardeios sofridos na nova base, um colega de farda de Thiago morreu. O brasileiro relatou que o impacto dos ataques foi devastador para o grupo de soldados que ocupava a região.

Como é a rotina de combate?

Atualmente, o brasileiro atua na cidade de Dnipro, considerada uma zona mais segura. Ele integra um batalhão composto por outros 13 brasileiros e desempenha missões de reconhecimento. Embora não componha as equipes de assalto responsáveis pelo confronto direto com as tropas russas, ele convive com a ameaça constante de drones e mísseis.

A rotina de trabalho é caracterizada por treinamentos intensos e missões com durações variáveis. Segundo Thiago, as atividades podem durar de uma semana a mais de 40 dias, com tarefas diferentes a cada dia. Ele explicou que, no momento, está em período de folga.

Apesar de não participar dos combates de linha de frente, o militar ressaltou que o perigo de ataques aéreos é uma constante no cotidiano. O convívio diário com bombardeios e o uso de drones marcam a experiência do brasileiro no país europeu.

Impacto psicológico e vida pessoal

Thiago, que utiliza o apelido "BadBoynaUcrania" nas redes sociais, afirmou que a experiência na guerra alterou sua percepção sobre a vida. Ele comparou o cenário atual com o período em que vivia no Brasil, associando o vício em apostas a uma "guerra mental".

O militar explicou que a necessidade de sobreviver fisicamente no campo de batalha trouxe uma clareza diferente. Segundo ele, a luta para se salvar durante os ataques é o que o diferencia da situação emocional que enfrentava anteriormente.

O apelido utilizado nas redes sociais e no exército surgiu na adolescência, quando ele morava em São Gonçalo, no Rio de Janeiro. O nome "Bad Boy" era uma brincadeira entre seu grupo de amigos da época e acabou sendo adotado oficialmente pelos companheiros de farda na Ucrânia.

Sobre o futuro, a previsão é que o brasileiro retorne ao Brasil entre os meses de novembro e dezembro, aproveitando o período de férias previsto em contrato.

Após o retorno ao território brasileiro, Thiago deve tomar uma decisão definitiva sobre sua carreira militar. Ele decidirá se encerra de vez o vínculo com o Exército Ucraniano ou se pretende permanecer na corporação pelos próximos anos.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.