Primeiro-ministro do Canadá apoia proposta de adesão associada à União Europeia
Mark Carney afirmou que a união entre Europa e Canadá gera resiliência coletiva contra pressões comerciais e ameaças à soberania.
Por Redação Diário Local
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, apoiou nesta quinta-feira (17) a proposta de que o país se torne um membro associado da União Europeia (UE). Ao discursar em Estrasburgo, o líder canadense afirmou que o estreitamento de laços entre a Europa e o Canadá visa proteger a prosperidade dos cidadãos e aumentar a resiliência das duas regiões.
Carney declarou aos parlamentares da UE que a união entre as partes as torna mais fortes. Segundo o primeiro-ministro, o objetivo da medida não é a criação de um terceiro bloco para atuar como potência rival, mas sim o fortalecimento de mecanismos para proteger a soberania e as democracias em um cenário global de incertezas.
O chefe do governo canadense enfatizou que a busca por cooperação não visa o domínio de outros mercados, mas a garantia de que mercados abertos e o Estado de Direito não sejam ameaçados. O objetivo, segundo ele, é construir uma resiliência coletiva em vez de buscar a autossuficiência isolada.
A proposta de adesão associada foi apresentada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. O plano ainda passará por uma fase de detalhamento e precisará ser aprovado pelos Estados-membros da União Europeia para que o processo tenha continuidade.
O porta-voz da Comissão Europeia, Olof Gill, defendeu a iniciativa ao afirmar que o fortalecimento da parceria com o Canadá não é uma ação contra terceiros, mas sim em prol da força comum. O governo canadense indicou que pretende estreitar laços em áreas estratégicas, como inteligência artificial, computação, segurança energética e minerais críticos.
A iniciativa também prevê cooperação em capacidade industrial de defesa, setor espacial, pagamentos e comércio digital. Carney mencionou ainda a importância de construir conexões de banda larga mais seguras entre a Europa e a Ásia, aproveitando a geografia comum entre as regiões.
A proposta de integração gerou forte oposição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em declarações feitas na noite de quarta-feira (16), Trump ridicularizou a iniciativa e classificou as propostas de Von der Leyen como "ridículas".
O presidente norte-americano ameaçou aplicar tarifas pesadas contra a Europa e interromper o comércio em diversos setores caso considere a adesão do Canadá um ato de hostilidade. Trump afirmou que, se a intenção da medida for considerada má, os Estados Unidos tomarão medidas contra o bloco europeu.
A tensão comercial ocorre em um momento de pressão sobre tanto a União Europeia quanto o Canadá, envolvendo questões sobre a postura da China e disputas de mercado. Tanto o governo dos Estados Unidos quanto a Comissão Europeia enfrentam o desafio de equilibrar parcerias e proteger interesses econômicos globais.
