Coreia do Sul apoia retomada de diálogo entre EUA e Coreia do Norte, mas exige participação
Seul busca garantir que a segurança do país não seja enfraquecida e que o governo sul-coreano não seja excluído das negociações.
Por Redação Diário Local
A Coreia do Sul declarou apoio aos esforços do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para retomar o diálogo com a Coreia do Norte, mas defende que o processo não enfraqueça sua segurança nacional. O governo sul-coreano busca garantir que Seul não seja excluída das negociações e que as tratativas foquem em avanços reais sobre o programa nuclear de Pyongyang.
As declarações foram feitas nesta sexta-feira (28) pelo assessor de Segurança Nacional sul-coreano, Wi Sung-lac. Ele afirmou aos jornalistas que qualquer retomada de conversa entre Washington e a Coreia do Norte deve ocorrer de forma paralela aos esforços para estabelecer um regime de paz na Península Coreana.
Para o assessor, a coordenação política e a comunicação entre Seul e Washington são fundamentais neste momento. O objetivo é assegurar que os diálogos entre Donald Trump e o líder norte-coreano, Kim Jong Un, tragam resultados concretos sobre as armas nucleares sem comprometer a prontidão de defesa do país sul-coreano.
A necessidade dessa coordenação ganhou destaque após uma ordem de Trump, emitida no início deste mês, para reduzir significativamente os principais exercícios militares conjuntos entre os dois aliados. Segundo Wi Sung-lac, a medida sinaliza a disposição do presidente americano para negociar com o regime de Kim Jong Un.
Trump justificou a redução dos exercícios militares Ulchi Freedom Shield citando a recusa de Seul em oferecer ajuda na guerra contra o Irã, alegando que a postura sul-coreana enviava uma mensagem equivocada à Coreia do Norte. Em resposta às ameaças de mísseis e armas nucleares, a Coreia do Sul anunciou que realizará exercícios militares conjuntos com Estados Unidos e Japão entre os dias 9 (segunda-feira) e 11 (quarta-feira) de setembro.
Além das questões de defesa, o governo sul-coreano busca aprofundar a cooperação em temas que geraram atritos recentes entre os aliados. Entre os pontos de tensão estão os investimentos sul-coreanos nos Estados Unidos previstos em tratados comerciais e o tratamento dado à empresa de comércio eletrônico Coupang, que possui listagem na bolsa americana.
Outros tópicos sensíveis na agenda bilateral incluem o compartilhamento de informações de inteligência e a transferência do controle operacional das forças armadas em períodos de guerra. Seul defende que a cooperação deve ser fortalecida para evitar novos desgastes diplomáticos.
O cenário de negociação remete ao período entre 2018 e 2019, quando Donald Trump e Kim Jong Un se reuniram em três ocasiões para discutir a desnuclearização da península, tema que volta ao centro das atenções com a atual postura de Washington.
