Enchente repentina no Nepal deixa ao menos 389 mortos e mais de mil desaparecidos
Desastre causado por colapso de geleira e deslizamento de rochas destruiu vilarejos e busca por sobreviventes continua em áreas remotas do Himalaia.
Por Redação Diário Local
Uma inundação repentina provocada por uma avalanche de rochas, gelo e lama deixou ao menos 389 mortos e mais de mil desaparecidos no Nepal e na China. As buscas por sobreviventes continuam nesta quinta-feira (27) em áreas remotas do Himalaia, com o uso de helicópteros e equipes de emergência para alcançar vilarejos destruídos pela força da água após o colapso de uma geleira.
No Nepal, a agência nacional de gestão de desastres informou que mais de 900 pessoas permanecem desaparecidas, incluindo cerca de 500 visitantes estrangeiros. Entre os sumidos estão cidadãos da Índia, Estados Unidos, Austrália, Reino Unido, Canadá e Malásia. Na região do Tibete, na China, as autoridades registaram três mortes e comunicaram que 558 pessoas estão desaparecidas no condado de Gyirong, das quais 260 são estrangeiras.
O Ministério das Relações Exteriores da China relatou que 100 cidadãos chineses desapareceram no território nepalês. Já o Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que aproximadamente 90 americanos podem ter sido afetados pela tragédia, mas registrou o resgate de três cidadãos do país até o momento, sem confirmar mortes de americanos.
Por que ocorreu a inundação?
Pesquisadores que analisaram imagens de satélite e dados sismológicos indicam que o desastre foi provocado por um deslizamento de terra em grande altitude, coincidindo com o colapso de uma geleira na face norte da montanha Langtang Lirung, a cerca de 5.200 metros de altitude. A queda de milhões de toneladas de detritos nos vales fluviais causou um tremor de magnitude 5,2, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
Cientistas observam que temperaturas mais elevadas, associadas a mudanças climáticas, podem ter contribuído para a instabilidade da geleira e da encosta, embora a causa exata ainda esteja sob investigação. O evento foi descrito pelo ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, como um dos maiores desastres naturais enfrentados pelo país nos últimos anos.
Quais são as dificuldades no resgate?
As operações de socorro enfrentam obstáculos logísticos severos devido à infraestrutura destruída. O governo do Nepal informou que a interrupção de comunicações, de energia elétrica e de sinal telefônico, somada à destruição de dezenas de pontes e de cerca de 40 quilômetros de estradas, impede o acesso rápido a diversas comunidades.
As equipes de emergência estão utilizando rádios militares para a coordenação das buscas em áreas onde as rodovias praticamente desapareceram. Em alguns trechos próximos ao rio Bhotekoshi, marcas indicam que o nível da água subiu mais de 200 metros durante a enchente, destruindo casas, escolas e usinas hidrelétricas.
Especialistas do Centro de Estudos sobre Desastres da Universidade Tribhuvan explicaram que os sistemas de alerta do Nepal não estavam preparados para a velocidade do evento. Os sensores atuais são projetados para monitorar o aumento gradual do nível dos rios, como ocorre nas monções, e não para detectar inundações repentinas causadas pelo colapso súbito de uma montanha.
