Plano de vender parte da FIFA a investidores gera crise e ameaça reeleição de Infantino
Projeto de criar subsidiária para vender 20% de direitos comerciais provoca boicote da UEFA e levanta nomes para sucessão
Por Redação Diário Local
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, enfrenta uma crise política que ameaça sua permanência no comando da entidade após o vazamento de um plano para criar uma subsidiária comercial e vender parte das ações para investidores privados.
O projeto, chamado de FIFA Forward Enterprises (FFE), busca concentrar os direitos comerciais das principais competições da organização, como a Copa do Mundo de Seleções e a Copa do Mundo de Clubes. A proposta prevê a venda de 20% das ações da nova empresa para o setor privado, com um valor estimado em US$ 4,2 bilhões.
O plano não era de conhecimento público e foi exposto nesta terça-feira (28). A estratégia envolveria consultoria da JP Morgan e captação de investidores pela Thrive Eternal, com nomes como o fundo Apollo Global Management figurando na lista de possíveis sócios.
Por que o projeto gera resistência nas federações?
A principal crítica reside na forma como o projeto foi conduzido e na pressão exercida sobre as associações nacionais. Após o vazamento, Infantino estabeleceu um prazo para que as federações tomem uma decisão até o dia 19 de setembro, sob o argumento de que o não cumprimento resultaria em reduções nos repasses financeiros planejados.
A falta de consulta prévia às bases gerou reações imediatas de grandes blocos do futebol mundial. A UEFA, na manhã desta quinta-feira (30), anunciou que seus membros decidiram, de forma unânime, boicotar a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil, caso a FFE não seja descontinuada.
A Concacaf também manifestou rejeição ao projeto em assembleia na tarde de quinta-feira (30). Além dessas, a federação asiática (AFC) declarou desapontamento com o processo de negociação realizado sem o diálogo com as bases, conforme anunciado na quarta-feira (29).
Quais as consequências para a gestão de Infantino?
A instabilidade política colocou em xeque o mandato de Infantino, que pleiteia um quarto período no comando da entidade. Entidades como a European Football Clubs, a World Leagues Associations e o sindicato FIFPro também expressaram desaprovação ao modelo proposto.
Nesta quinta-feira (30), o cenário de incerteza foi reforçado por notícias sobre a dificuldade de sobrevivência política do presidente da FIFA. Ao mesmo tempo, líderes europeus passam a articular nomes para a sucessão, tentando convencer Nasser Al-Khelaifi, presidente do Paris Saint-Germain, a concorrer às eleições de março de 2027.
