Distorções em mapas tradicionais ocultam tamanho real da África e de outros países
Projeção de Mercator favorece o Hemisfério Norte e reduz visualmente territórios próximos ao Equador, como África e América do Sul
Por Redação Diário Local
A projeção de Mercator, modelo de mapa-múndi mais utilizado em materiais didáticos, causa distorções que diminuem visualmente o tamanho de territórios próximos à linha do Equador, como a África e a América do Sul.
O modelo, criado no século XVI para auxiliar marinheiros na manutenção de ângulos de navegação, acaba sacrificando a proporção real das áreas representadas. Com isso, regiões situadas próximas aos polos, como a América do Norte e a Europa, aparecem maiores do que são em comparação a outros continentes.
A discrepância visual é significativa. A área do continente africano é aproximadamente quatro vezes maior que a do Brasil, três vezes maior que a da Europa e 14 vezes maior que a da Groenlândia, embora a projeção tradicional não permita essa percepção imediata.
Por que a projeção de Mercator é criticada?
A principal crítica reside na falta de neutralidade da imagem que o mapa transmite sobre o mundo. Enquanto a projeção é útil para rotas de navegação em linha reta, ela distorce as proporções entre o Hemisfério Norte e o Hemisfério Sul.
Para corrigir esse cenário, a campanha internacional 'Correct The Map' propõe a adoção da projeção 'Equal Earth'. Criada em 2018, essa alternativa reflete com maior precisão as áreas e as proporções reais entre os territórios mundiais.
A União Africana tem apoiado essa mudança para garantir que as proporções de todos os países e continentes sejam visualizadas de forma correta.
Qual a importância do debate sobre a África?
Além da questão cartográfica, a discussão sobre a centralidade africana envolve aspectos estratégicos e geopolíticos. Temas como a explosão demográfica de jovens no continente e a abundância de minerais essenciais para a transição energética colocam a região em destaque global.
O peso diplomático da África também tem crescido em instâncias como o G20, acompanhado por uma busca por maior autonomia política em um cenário de mundo multipolar.
