Diário Local
Nova York

Documentos revelam que autoridades enganaram moradores sobre poluição em Nova York após 11/9

Divulgação de 170 mil páginas mostra que moradores foram tranquilizados enquanto o ar continha amianto e substâncias perigosas

Por Redação Diário Local

Mais de 170 mil páginas de documentos divulgados pela cidade de Nova York revelam que autoridades enganaram repetidamente moradores sobre os níveis de poluição do ar após os ataques de 11 de setembro de 2001 ao World Trade Center.

Os registros, que incluem memorandos internos cruciais, mostram que residentes que viviam próximos ao Marco Zero foram tranquilizados sobre a segurança do ar, apesar de dados internos e relatos de moradores indicarem o contrário. A divulgação ocorre às vésperas do 25º aniversário do atentado, nesta sexta-feira (11).

Os documentos detalham que, entre outubro e novembro de 2001, testes ambientais detectaram regularmente níveis elevados de toxinas, incluindo amianto e produtos químicos perigosos. Os registros apontam ainda falhas na proteção da saúde de socorristas e o ocultamento de dados sobre a contaminação por chumbo e amianto.

O que os documentos revelam sobre a saúde pública?

De acordo com os documentos, as declarações públicas das autoridades foram frequentemente contraditórias em relação aos riscos reais. Em outubro de 2001, por exemplo, um memorando interno de uma comissária adjunta de saúde alertava que a qualidade do ar ainda não era adequada para reocupação, no mesmo dia em que o então prefeito Rudolph Giuliani afirmava publicamente que o ar era seguro.

Moradores que retornaram aos seus apartamentos descreveram problemas de saúde graves e persistentes devido à inalação de uma poeira alcalina e cáustica. Entre os sintomas relatados estão sangramentos nasais crônicos, erupções cutâneas, dores de cabeça, asma e tosse.

O impacto da exposição é mensurado pelo Memorial do nesta sexta-feira (11), que aponta que, além das quase três mil pessoas mortas nos ataques, milhares de outros indivíduos — incluindo socorristas — morreram posteriormente devido a cânceres e doenças relacionadas à tragédia.

Por que os registros foram liberados agora?

Os documentos, que estavam armazenados em 68 caixas em um escritório do governo municipal, foram encontrados no ano passado. A liberação decorre de um processo movido pelo grupo de defesa 9/11 Health Watch, que buscava maior transparência e auxílio para pesquisas de saúde.

O prefeito Zohran Mamdani anunciou a divulgação na última terça-feira (8), afirmando que a medida reflete o custo humano dos ataques. Sobre o atraso na liberação, o prefeito afirmou que várias administrações municipais anteriores se recusaram a divulgar os documentos aos quais a população tinha direito.

A cidade de Nova York disponibilizou um portal de busca onde todos os documentos publicados estão disponíveis para visualização e download de forma gratuita. A expectativa é que novos materiais sejam adicionados gradualmente nos próximos meses.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.