Departamento de Estado dos EUA afirma que dominância no Hemisfério Ocidental não será questionada
Em novo vídeo sobre a Doutrina Monroe, Departamento de Estado dos Estados Unidos reforça estratégia de controle sobre as Américas.
Por Redação Diário Local
O Departamento de Estado dos Estados Unidos publicou, nesta terça-feira (11), um vídeo sobre a Doutrina Monroe que afirma que a dominância norte-americana no Hemisfério Ocidental não será questionada novamente.
A publicação de mais de cinco minutos recupera a origem da estratégia, apresentada pelo presidente James Monroe ao Congresso americano em 1823. Na época, a política visava impedir que potências europeias tentassem recolonizar ou ampliar a influência sobre países das Américas.
Ao narrar a trajetória da doutrina, o órgão americano destaca momentos em que a estratégia serviu de base para a atuação dos Estados Unidos no continente, como a crise dos mísseis de Cuba, em 1962, e as ações do governo Ronald Reagan contra grupos de esquerda na América Latina.
Contexto histórico e atual
A Doutrina Monroe foi formulada quando os Estados Unidos eram uma potência em ascensão. Em 1904, o presidente Theodore Roosevelt apresentou o Corolário Roosevelt, que permitia intervenções norte-americanas em países latino-americanos em situações de ameaça à estabilidade regional.
A atual política busca adaptar essa lógica às disputas geopolíticas contemporâneas. A Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos defende que Washington deve impedir que potências de fora do Hemisfério Ocidental estabeleçam presença ou controlem ativos estratégicos na região. Segundo o órgão, a estratégia também se associa ao combate ao tráfico de drogas, à imigração irregular e a organizações criminosas.
A publicação também menciona o uso da doutrina na Operação Absolute Resolve, ocorrida em janeiro deste ano, que resultou na prisão de Nicolás Maduro e Cilia Flores por forças americanas.
Tensões comerciais com Brasil e China
O anúncio ocorre em um momento de crescente competição entre Washington e Pequim pela influência econômica na América Latina. A China manifestou interesse em participar das consultas abertas pelo Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar as tarifas impostas pelos Estados Unidos.
O processo de consultas é a etapa inicial do mecanismo de solução de controvérsias da OMC, buscando um entendimento antes da abertura de um painel. A entrada da China no processo acrescenta uma dimensão geopolítica à disputa comercial envolvendo as medidas do governo Trump contra produtos brasileiros.
