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Cooperação nuclear

EUA e Paraguai assinam memorando de cooperação nuclear civil

Marco Rubio e o chanceler Rubén Ramírez Lezcano assinaram em Washington o entendimento que abre ao país vizinho o acesso a tecnologia atômica de uso pacífico.

Por Redação Diário Local

EUA e Paraguai assinam memorando de cooperação nuclear civil
Foto: Departamento de Estado dos EUA

Os Estados Unidos e o Paraguai assinaram nesta terça-feira (4), em Washington, um memorando de entendimento sobre cooperação estratégica em energia nuclear civil. O documento foi firmado no Departamento de Estado pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, e pelo chanceler paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano. O vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana, acompanhou a cerimônia.

O texto não autoriza a construção de usina nem transfere material nuclear de imediato. Ele estabelece o marco em que a cooperação vai acontecer — intercâmbio técnico, capacitação de profissionais, apoio regulatório e troca de conhecimento em áreas como medicina, agricultura, indústria e geração de eletricidade —, sempre sob os padrões de segurança e de não proliferação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

O que é o "Acordo 123"

O entendimento é o passo que a legislação americana exige antes de qualquer fornecimento de tecnologia nuclear a outro país. A referência é a Seção 123 da Lei de Energia Atômica dos Estados Unidos, de 1954, que condiciona a exportação de material, equipamento e conhecimento nuclear a um acordo bilateral com garantias de uso exclusivamente pacífico — daí o apelido "Acordo 123" com que o instrumento é tratado.

Desde então, Washington firmou entendimentos do tipo com mais de duas dezenas de países. Na América Latina, já estão na lista Argentina, Brasil e México, além de Equador e El Salvador, incorporados mais recentemente.

O que Rubio disse

Na cerimônia, Rubio falou em inglês e em espanhol e evitou tratar o memorando como um fato isolado. "Acho que este é mais um passo no crescimento contínuo da relação entre os nossos dois países", afirmou. "Sempre tivemos laços fortes entre os Estados Unidos e o Paraguai, e esses laços só se fortaleceram."

O secretário de Estado disse esperar que acordos como esse "institucionalizem" a relação bilateral. "Para que não sejam apenas produto de um governo ou de uma época, mas se tornem duradouros e sobrevivam às mudanças e aos ventos políticos que acontecem nas democracias de tempos em tempos", declarou.

Por que o Paraguai

O país vizinho gera praticamente toda a sua eletricidade em hidrelétricas — Itaipu, dividida com o Brasil, e Yacyretá, dividida com a Argentina. A entrada no circuito da cooperação nuclear civil abre uma segunda frente energética e amplia o uso da tecnologia em aplicações que não são de geração, como diagnóstico e tratamento médicos e controle de pragas na agricultura.

Segundo o Departamento de Estado, o encontro entre Rubio e a comitiva paraguaia também tratou do combate ao crime organizado transnacional e da posição dos dois governos sobre a crise na Venezuela.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.