Representante de comércio dos EUA defende tarifas por trabalho forçado e cita Brasil
Brasil recebeu taxa de 12,5% após investigação do governo americano concluir que o país não aplica medidas eficazes contra trabalho forçado.
Por Redação Diário Local
O Brasil passou a ser alvo de uma nova política tarifária dos Estados Unidos que aplica uma taxa de 12,5% sobre produtos importados pelo país. A medida, que entrou em vigor na última sexta-feira (24), ocorre após uma investigação do governo americano apontar que o país não aplica de forma efetiva medidas para impedir o trabalho forçado em suas cadeias produtivas.
O representante do Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, afirmou nesta segunda-feira (27) que a aplicação das tarifas sobre 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil, visa garantir que empresas e trabalhadores americanos possam competir em condições de igualdade. Segundo Greer, o objetivo é eliminar práticas comerciais consideradas desleais no cenário global.
A investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) identificou que cerca de 80 nações não implementam mecanismos eficazes para evitar a mão de obra forçada em seus processos de produção. Por essa razão, o Brasil foi enquadrado na faixa mais alta das novas taxas, que variam entre 10% e 12,5% entre os países afetados.
Em entrevista à Fox News, Greer explicou que o levantamento constatou que poucos países possuem leis que impeçam a exportação de mercadorias produzidas com trabalho escravo ou forçado. Ele destacou que, mesmo nos casos em que essas legislações existem, elas não são aplicadas na prática.
O representante afirmou que a medida busca fortalecer a competitividade dos trabalhadores dos Estados Unidos. De acordo com Greer, a gestão do presidente Donald Trump trabalha para neutralizar práticas que prejudiquem a economia americana perante o mercado internacional.
Como funcionam as taxas?
As novas tarifas foram estabelecidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Esse dispositivo legal é utilizado por Washington para investigar e responder a práticas que o governo considera injustas ou discriminatórias no comércio mundial.
O governo norte-americano justificou a escolha de países como o Brasil por entender que não há uma proibição efetiva à importação de bens fabricados sob regime de trabalho forçado. A aplicação das taxas visa nivelar o campo de jogo para os produtos que seguem padrões rigorosos de mão de obra.
O cenário reportado pelo USTR reforça o uso do instrumento da Lei de Comércio para monitorar cadeias de suprimentos globais. A medida impacta diretamente o fluxo comercial entre os Estados Unidos e os 60 parceiros comerciais listados na nova política tarifária.
