Ex-presidente do Supremo da Bolívia pode estar no Brasil, diz procurador
Autoridades bolivianas investigam possível fuga de Romer Saucedo por rota terrestre clandestina após mandado de prisão por narcotráfico
Por Redação Diário Local
O ex-presidente do Tribunal Supremo de Justiça da Bolívia, Romer Saucedo, pode ter fugido para o Brasil, segundo informou o procurador-geral interino do país, José Armando Urioste. Autoridades bolivianas investigam se o ex-magistrado utilizou uma rota terrestre clandestina para deixar o território nacional até a última semana.
Saucedo é investigado por supostas ligações com o narcotráfico. Na quarta-feira (4), ele confirmou por meio de uma publicação que havia deixado a Bolívia, alegando ser alvo de perseguição e de narrativas baseadas em mentiras.
As investigações preliminares da polícia boliviana não identificaram registros de saída de Saucedo pelos postos oficiais de imigração. A ausência desses dados motivou a suspeita de que ele tenha atravessado a fronteira por caminhos não autorizados com destino ao território brasileiro.
O Ministério Público da Bolívia expediu um mandado de prisão contra o ex-presidente do tribunal na terça-feira (3). O documento cita os crimes de tráfico de drogas e organização criminosa, fundamentado em indícios de risco de fuga e de obstrução da Justiça.
Segundo o procurador Urioste, há a possibilidade de que Saucedo tenha recebido informações antecipadas sobre a ordem judicial. O vazamento de dados teria permitido ao investigado organizar a sua saída do país de forma estratégica.
Em sua declaração pública, Saucedo afirmou que seria mais útil estar fora da Bolívia do que enfrentar uma prisão ou a morte. O procurador informou que alertas migratórios já foram habilitados para tentar localizar o paradeiro do ex-magistrado.
As investigações apontam que os crimes de narcotráfico supostamente cometidos não teriam ocorrido durante o período em que Saucedo exercia a presidência do tribunal. No entanto, o ex-presidente ainda poderá ser alvo de apurações por irregularidades ligadas ao seu cargo.
Entre as condutas funcionais sob análise estão o abandono de função e o recebimento de propina. Até o momento, as autoridades bolivianas não confirmaram a presença efetiva de Saucedo em nenhuma cidade brasileira.
