Brasil propõe plano de US$ 1,3 trilhão por ano para países em desenvolvimento até 2035
Roteiro brasileiro prevê taxação de bilionários e mobilização de recursos privados para financiar ações climáticas até 2035
Por Redação Diário Local
O Brasil, através da presidência da COP30, publicou neste domingo (8) um plano que propõe a mobilização de US$ 1,3 trilhão por ano para países em desenvolvimento até 2035. O roteiro brasileiro visa financiar ações de combate à crise climática por meio de uma combinação de recursos públicos e investimentos privados.
O documento, intitulado “Implementando o Roteiro de Baku a Belém para US$ 1,3 trilhão”, é o terceiro e último relatório entregue pelo país ao encerrar sua gestão na presidência da conferência. Segundo o texto, o plano busca suprir a lacuna financeira global, uma vez que o fluxo atual de recursos — estimado em US$ 461 bilhões por ano — é insuficiente para atingir a meta estabelecida.
Como seria financiado o plano?
A estratégia prevê que o montante anual chegue a um intervalo entre US$ 1,27 trilhão e US$ 1,41 trilhão até 2035. A composição do valor se divide principalmente entre o setor privado e o público. O investimento privado deve representar US$ 882 bilhões por ano, um salto significativo em relação aos US$ 94 bilhões registrados atualmente.
Já os recursos públicos devem variar entre US$ 351 bilhões e US$ 384 bilhões anuais. O relatório destaca que cerca de 25% do total viria de dinheiro público, sendo que parte desse valor é composta por empréstimos de bancos de desenvolvimento. A proposta também contempla o uso de mercados de carbono, com arrecadações estimadas entre US$ 40 bilhões e US$ 144 bilhões, dependendo do preço da tonelada.
Para atrair o capital privado, o plano conta com o papel de bancos multilaterais, que utilizariam recursos próprios para convencer investidores a aplicarem em projetos de sustentabilidade.
Taxação de bilionários e novas taxas globais
Para fechar a conta financeira, o roteiro sugere a implementação de mecanismos inovadores e novas taxas globais. Uma das propostas centrais é a taxação de bilionários, com a sugestão de um imposto mínimo de 2% sobre a riqueza. Estima-se que essa medida, somada a tributos sobre aviação, transações financeiras, criptoativos e combustíveis fósseis, possa gerar entre US$ 68 bilhões e US$ 129 bilhões anuais.
O relatório admite que o maior obstáculo para a implementação dessas taxas é de natureza política, e não técnica. O documento ressalta que, se poucos países aderirem às novas cobranças, há um risco elevado de evasão fiscal, o que reduziria a eficácia da arrecadação para o clima.
O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, afirmou que o relatório não exige novas negociações para a COP31, pois visa implementar decisões que já foram aprovadas por consenso. O comando da conferência será transferido para a Turquia nesta segunda-feira (9).
