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França

Ex-funcionário público na França é investigado por dopar quase 250 mulheres em entrevistas de emprego

Investigação aponta que Christian Nègre usava diuréticos para causar humilhação e controle durante processos seletivos.

Por Redação Diário Local

Um ex-funcionário público na França está sob investigação formal por suspeita de dopar cerca de 250 mulheres durante entrevistas de emprego. O investigado, Christian Nègre, é acusado de utilizar substâncias para provocar situações de humilhação e obter controle sobre as candidatas entre os anos de 2009 e 2018.

A investigação aponta que o uso de diuréticos — medicamentos que estimulam a produção excessiva de urina — era uma ferramenta central no método utilizado. Segundo relatos de mulheres que passaram por processos seletivos no Ministério da Cultura, o mal-estar começava logo após o consumo de bebidas preparadas pelo próprio servidor.

Como funcionava o esquema de submissão química

A polícia francesa identificou indícios de que Nègre mantinha um registro detalhado das ocorrências. Em seu computador, foi localizada uma planilha com o título "Experiments P" (Experimentos P), que continha dados sobre o horário de chegada das mulheres, o momento em que o diurético era administrado e o tempo decorrido até que as vítimas sentissem a necessidade de urinar.

O documento também registrava informações pessoais sobre as candidatas, como o tipo de roupa íntima que elas estavam usando no momento do incidente. A prática é descrita como submissão química, método em que substâncias são usadas para diminuir a resistência ou o controle de uma pessoa sobre si mesma.

Muitas das mulheres envolvidas só tomaram conhecimento de que poderiam ser vítimas após serem contatadas pela polícia ou ao acompanharem as investigações pela imprensa. Relatos indicam que as candidatas sentiam tontura, exaustão e uma necessidade incontrolável de urinar enquanto caminhavam com o servidor após as reuniões.

Histórico e demissão do servidor

As investigações contra Nègre começaram em junho de 2018, quando ele foi flagrado por um colega tirando fotos de uma mulher por baixo de uma mesa. Na época, o episódio resultou em sua suspensão do cargo de diretor regional de assuntos culturais.

Em 2019, o Ministério da Cultura efetivou a demissão do servidor. Durante os interrogatórios realizados em 2018, os promotores afirmaram que o investigado admitiu ter submetido mulheres a situações humilhantes durante os processos de contratação.

Atualmente, Christian Nègre, que tem aproximadamente 60 anos, responde por crimes de drogagem, invasão de privacidade e agressão sexual, aguardando o início do julgamento.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.