Gianni Infantino pede desculpas a federações e tenta conter crise na Fifa
Dirigente suíço reconheceu erros na condução do projeto Fifa Forward Enterprise e pediu desculpas às 211 associações filiadas.
Por Redação Diário Local
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, pediu desculpas formais às 211 associações filiadas da entidade após o fracasso de um projeto de comercialização de parte dos torneios da organização. O reconhecimento de erros ocorreu durante uma reunião de emergência realizada nesta quarta-feira (5), em Rabat, no Marrocos, com o objetivo de conter uma crise política interna.
A crise foi motivada pelo plano de criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), que previa a venda de participação nos direitos de torneios da entidade, incluindo as Copas do Mundo masculina e feminina, para investidores privados. Em comunicado oficial, a Fifa informou que o conselho administrativo reafirmou o apoio à permanência de Infantino na presidência.
O movimento de autocrítica foi acompanhado de uma carta conjunta enviada por Infantino e pelo secretário-geral da Fifa, Mattias Grafström, aos vice-presidentes, membros do Conselho e às federações nacionais. No documento, os dois líderes admitiram que cometeram falhas e comprometeram-se a evitar que novos erros ocorram na condução de processos internos.
Por que houve o pedido de desculpas?
A principal concessão de Infantino foi admitir que a proposta da FFE deveria ter sido debatida previamente com o Conselho da Fifa e com as associações nacionais, o que não aconteceu. Segundo a entidade, não houve a intenção de excluir os dirigentes das discussões, mas o processo deveria ter seguido um rito diferente.
A Fifa também reconheceu que a forma como a crise foi gerida, após o vazamento de informações para a imprensa, agravou o desgaste político com os membros da organização. Apesar do reconhecimento das falhas, a entidade defendeu que todas as ações foram realizadas dentro das normas e que não aceitará ataques à sua governança.
Para transmitir estabilidade, o secretário-geral Mattias Grafström, que havia classificado a condução do caso como "triste e repreensível", apareceu ao lado de Infantino após a reunião. Os dois foram vistos juntos durante uma partida da Copa Africana de Nações Feminina, em um gesto interpretado como uma tentativa de mostrar unidade institucional.
Qual o cenário de apoio e resistência?
Apesar do movimento para conter a tensão, Infantino ainda enfrenta forte resistência internacional. A Uefa (União Europeia de Futebol) afirmou ter perdido a confiança no presidente e ameaçou recorrer à Justiça para contestar a falta de transparência no desenvolvimento do projeto.
No âmbito das federações, o País de Gales já retirou o apoio à candidatura de Infantino para um quarto mandato, enquanto a Inglaterra avalia adotar posição semelhante. O cenário de críticas inclui ainda declarações do ex-jogador Luís Figo, que pediu a renúncia do dirigente, e do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney.
Por outro lado, o presidente mantém uma base de sustentação sólida em diversas federações da África e da Ásia, como Marrocos, Egito, Filipinas, Níger, Mauritânia e República Democrática do Congo. Esse apoio é impulsionado pelos investimentos recebidos por esses países por meio do programa Fifa Forward, iniciativa central da gestão atual.
Esse respaldo político será decisivo para a próxima eleição presidencial da Fifa, marcada para março de 2027. Na ocasião, o dirigente precisará de ao menos 106 votos das 211 associações filiadas para garantir a continuidade no comando da maior entidade do futebol mundial.
