Diário Local
Irã

Hospital infantil especializado em câncer é evacuado no Irã após novos ataques dos EUA

Bombardeios norte-americanos em áreas próximas ao hospital Shahid Baghaei forçaram a saída de pacientes e profissionais de saúde em Ahvaz.

Por Davy Albuquerque

Pacientes de um hospital especializado no tratamento de crianças com câncer foram evacuados nesta quarta-feira (15/07), na cidade de Ahvaz, no Irã. A movimentação ocorreu após uma nova onda de ataques realizados pelos Estados Unidos contra o território iraniano.

De acordo com autoridades iranianas, pacientes e profissionais de saúde precisaram deixar o hospital Shahid Baghaei devido a bombardeios norte-americanos que atingiram áreas próximas à unidade. O hospital é referência no tratamento de crianças com câncer e de outros enfermos da região.

Além de Ahvaz, localizada no sudoeste do país, explosões também foram registradas nas regiões de Sirik e Qeshm, situadas no sul do Irã. O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) confirmou a execução dos ataques, que miraram instalações militares iranianas.

O avanço das hostilidades interrompeu o cessar-fogo que estava em vigor desde que os dois países assinaram um memorando de entendimento no mês passado. O acordo visava iniciar negociações para um pacto final, mas o clima de tensão foi retomado após acusações do governo de Donald Trump sobre ataques iranianos a três embarcações no Estreito de Ormuz — alegação negada por Teerã.

O impacto das operações militares é alto. Segundo dados do Ministério da Saúde do Irã, 35 pessoas já morreram durante as recentes ofensivas dos Estados Unidos. O conflito também se expandiu para países do Golfo Pérsico, como Kuwait, Jordânia, Bahrein e Emirados Árabes Unidos.

Essas nações vizinhas voltaram a ser alvo de drones e mísseis iranianos nos últimos dias. Sobre os ataques, o Corpo dos Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC) afirmou que as operações têm como objetivo atingir instalações militares dos Estados Unidos localizadas nessas nações do Golfo.

A escalada militar paralisou as negociações diplomáticas entre Washington e Teerã, apesar dos esforços de mediação realizados pelo Paquistão e pelo Catar. Com o fim da trégua, os pontos acordados anteriormente, como o levantamento de sanções e a reabertura do Estreito de Ormuz, foram suspensos.

Atualmente, o Irã voltou a bloquear a navegação de embarcações no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo produzido mundialmente. Em contrapartida, os Estados Unidos retomaram o bloqueio em portos iranianos e o rigor das sanções econômicas contra o país.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.