Irã avalia prolongar conflito com EUA para pressionar negociadores e aumentar custos para Washington
Líderes iranianos analisam manter o conflito para elevar custos militares e econômicos para os Estados Unidos e obter vantagens em negociações.
Por Redação Diário Local
O Irã avalia manter o conflito com os Estados Unidos e Israel por um período prolongado, utilizando a guerra como ferramenta de pressão política. A estratégia busca tornar o combate mais custoso para Washington, tanto no campo militar quanto no econômico, com o objetivo de forçar o governo americano a aceitar exigências iranianas.
Apesar da forte pressão sobre a infraestrutura e a economia do país, os líderes iranianos ainda não demonstram pressa para encerrar o confronto. De acordo com análises, o país pode tentar demonstrar que os EUA não podem ditar o ritmo do conflito de forma isolada.
A capacidade militar iraniana para prolongar as hostilidades baseia-se na produção de drones e mísseis de cruzeiro, que são mais rápidos e fáceis de fabricar do que mísseis balísticos. Além disso, a estrutura de comando não foi desmantelada e houve a reposição de comandantes mortos durante o período de guerra.
Como funciona a capacidade militar do Irã?
Embora o número de mísseis balísticos lançados em cada ataque apresente queda, a resistência militar depende da rapidez de reposição de estoques e da manutenção de rotas estratégicas. O professor de relações internacionais Mohammad Ghaedi afirma que o Irã consegue manter a capacidade de realizar lançamentos, mesmo em menor intensidade.
Outro ponto de pressão é o Estreito de Ormuz, por onde passa parte da produção global de petróleo. O controle ou a interrupção dessa rota pode elevar os preços do petróleo e impactar a situação política interna dos Estados Unidos, que já gastaram parte de seus estoques de munição para interceptar ameaças iranianas.
Qual é o impacto na economia iraniana?
A economia do Irã enfrenta um quadro de agravamento severo devido ao conflito. Dados do Centro de Estatísticas do Irã apontam que a inflação acumulada em 12 meses atingiu 62%. Em algumas províncias do sul, como Hormozgan, o índice superou 101%.
O mercado de trabalho também foi atingido. Segundo o vice-ministro do Trabalho do Irã, a guerra causou a perda de mais de 1 milhão de postos, deixando cerca de 2 milhões de pessoas desempregadas, de forma direta ou indireta. O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta que o PIB iraniano encolha 5,4% em 2026, com a inflação se aproximando de 69%.
O comércio de petróleo também enfrenta desafios. Se por um lado o bloqueio naval americano dificulta as exportações iranianas, por outro, interrupções no fluxo de energia podem aumentar os custos da guerra para os americanos.
Existem divergências internas no governo?
Não há consenso absoluto entre os líderes iranianos sobre o desdobramento do conflito. Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento do Irã, alertou para os riscos de uma guerra de desgaste e afirmou que não aceitará acordos que não preservem os direitos do país.
Em contrapartida, parlamentares de linha-dura defendem que a continuidade da guerra é inevitável. Para especialistas, como o pesquisador Hamidreza Azizi, o maior risco para a República Islâmica pode não ser o campo de batalha, mas a crise interna gerada pela inflação alta e problemas de infraestrutura.
