Irã tem mais resiliência que EUA em conflito prolongado, avalia professor de relações internacionais
Estratégia de pressão militar dos Estados Unidos pode gerar impasse perigoso e não trazer ganhos políticos para o país, analisa especialista.
Por Redação Diário Local
O Irã apresenta maior capacidade de resiliência em um conflito prolongado do que os Estados Unidos, segundo avaliação de Danny Zahreddine, professor de Relações Internacionais da PUC-Minas. Para o especialista, a estratégia de pressão militar adotada por Washington pode não gerar os ganhos políticos esperados pela política externa americana.
Zahreddine aponta que a lógica de utilizar a pressão militar para obter vantagens em negociações pode ser um erro estratégico. Em sua análise, o aumento dos ataques cria uma dinâmica perigosa: enquanto cada lado acredita estar mais próximo de seu objetivo ao intensificar as ações, ambos acabam se aproximando de um impasse crítico.
O professor destaca que o Irã possui uma base sólida de resistência para enfrentar pressões externas. O país conta com uma população de mais de 90 milhões de habitantes e um governo que se mantém firme diante das movimentações internacionais.
Outro fator relevante apontado pelo especialista é o efeito de união gerado pelo conflito. Segundo Zahreddine, a destruição e a pressão externa têm provocado, paradoxalmente, um aumento da unidade interna entre os iranianos.
Ciclo de escalada e pontos estratégicos
A resposta do Irã tem seguido um padrão de escalada proporcional às ações dos Estados Unidos. Para cada nova etapa de pressão imposta pelos americanos, o governo persa reage com um novo degrau de tensão.
Nesse processo de escalada, elementos geográficos estratégicos podem ser acionados. O professor menciona o Estreito de Bab el-Mandeb como um dos pontos que os iranianos podem utilizar para alimentar o ciclo de instabilidade no Oriente Médio.
Riscos econômicos e diplomáticos
O especialista alerta que os Estados Unidos possuem vulnerabilidades que o Irã não apresenta da mesma forma. Em um conflito de longa duração, Washington enfrentaria pressões do sistema mundial, especialmente pela oscilação no preço do petróleo.
Por fim, a análise indica uma postura rígida na diplomacia iraniana. O país demonstra que não aceitará termos desfavoráveis, mantendo a posição de preferir a ausência de um acordo ao estabelecimento de tratados que prejudiquem seus interesses estratégicos.
