Irã ameaça Israel com derrota se tropas não saírem do sul do Líbano; trégua segue sob tensão
O chefe da Força Quds do Irã afirmou que Israel será 'forçado a fugir derrotado' se não retirar voluntariamente as tropas do sul do Líbano nesta quinta-feira.
Por Diário Local
O Irã ameaçou Israel nesta quinta-feira (25) com derrota militar caso as tropas israelenses não se retirem voluntariamente do sul do Líbano. O aviso partiu de Esmaeil Qaani, chefe da Força Quds — unidade de elite da Guarda Revolucionária iraniana, responsável por operações de inteligência e ações militares no exterior.
Em pronunciamento na mídia estatal iraniana, Qaani declarou: "Se Israel não se retirar voluntariamente do sul do Líbano hoje, será forçado a fugir derrotado amanhã."
A ameaça veio um dia após o ministro da Defesa de Israel afirmar, na quarta-feira (24), que as tropas israelenses não sairão do sul do Líbano — mesmo que os Estados Unidos exijam.
A posição israelense representa um desafio direto ao presidente norte-americano Donald Trump, que tem feito duras críticas ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pelos ataques ao território libanês.
Na quarta-feira, em publicação em vídeo na rede social X, Netanyahu declarou: "Não me renderei."
Em teoria, há quase uma semana está em vigor um cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah, grupo extremista que atua no Líbano com apoio do Irã.
A retirada das tropas israelenses do sul do Líbano é uma das exigências do Irã na minuta de entendimento assinada pelo país com os Estados Unidos.
Na quinta-feira, um representante do Departamento de Estado americano, que falou à agência Reuters sob condição de anonimato, afirmou que Israel havia se retirado de parte da zona-tampão no sul do Líbano — uma "demonstração significativa de boa fé" ao governo libanês.
Autoridades israelenses e libanesas, porém, negaram a informação à mesma agência, afirmando que isso não é verdade.
A zona-tampão em questão é uma faixa de cerca de dez quilômetros na fronteira entre os dois países, denominada por Israel como Zona de Segurança.
De acordo com fontes ouvidas pela Reuters, Israel e Líbano negociam um projeto piloto com apoio dos Estados Unidos que prevê a transferência do controle de parte do território sul-libanês das forças israelenses para as Forças Armadas libanesas.
Até o momento, não há consenso entre as partes. As conversas seguem sem resultado concreto.
Mortes e acusação de violação da trégua
Na terça-feira (23), duas pessoas morreram no sul do Líbano após serem atingidas por militares israelenses na região de Nabatieh.
O Exército israelense confirmou o ataque e informou ter atingido "terroristas armados" que representavam ameaça iminente a seus soldados operando na região.
O Hezbollah acusou Israel de ter violado a trégua com o ataque. A reação do grupo veio minutos após a confirmação do incidente pelas forças israelenses.
Foi o primeiro ataque no Líbano reivindicado por Israel desde o domingo anterior e também as primeiras mortes no país envolvendo tropas israelenses nos três dias que antecederam o incidente.
