Livro de Jamil Chade analisa impacto das deportações e mudanças democráticas no governo Trump
Obra que será lançada em agosto percorre os reflexos do segundo governo Trump e o aumento das deportações de estrangeiros.
Por Redação Diário Local
O jornalista Jamil Chade lançará, em agosto, o livro “Tomara que você seja deportado: uma viagem pela distopia americana”, que analisa o esgarçamento da democracia nos Estados Unidos. A obra detalha o cenário político observado entre a campanha eleitoral de 2024 e o início do segundo governo de Donald Trump.
O ensaio jornalístico percorre diferentes regiões do país, desde Manhattan até a fronteira mexicana, para registrar os impactos de políticas que afetam imigrantes, universidades e serviços públicos. O conteúdo descreve como as ordens partem da Casa Branca e são viabilizadas por recursos aprovados pelo Congresso.
Segundo dados do Migration Policy Institute, o número de estrangeiros deportados desde a posse de Trump até o fim de 2025 alcançou 622 mil pessoas. Durante o período, o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) registrou uma média de 1.200 detenções por dia.
O levantamento aponta que uma parte expressiva dos detidos não possuía condenação criminal. O cenário reportado inclui a prisão de cidadãos norte-americanos, a separação de famílias e tentativas de restrição ao direito de defesa, com o registro de quatro mortes, sendo duas de cidadãos dos Estados Unidos.
Diante dos episódios de detenção, a Suprema Corte precisou reafirmar que, mesmo estrangeiros submetidos à Lei dos Inimigos Estrangeiros, possuem o direito de serem notificados e de contestarem sua expulsão.
Quais os impactos nas políticas de saúde e economia?
A obra aborda ainda os reflexos das mudanças orçamentárias aprovadas no país. A lei orçamentária de 2025 previu uma redução de mais de US$ 1 trilhão nos gastos federais destinados à saúde ao longo de uma década, o que deve deixar 10 milhões de pessoas sem seguro-saúde.
No setor econômico, o livro destaca a desigualdade em estados americanos. No Mississippi, o estado mais pobre do país, 45% da população vive abaixo da linha de pobreza ou em situação de baixa renda. Em West Helena, no Arkansas, o índice de pobreza atinge 35% dos habitantes.
O texto também relaciona a situação social às políticas de diversidade, apontando que a revogação de programas de inclusão e a redução de investimentos sociais marcam o período. O livro descreve como a insegurança gerada pelas deportações afeta o cotidiano de famílias, que evitam hospitais, escolas e igrejas por medo de detenções.
