Pelo menos 400 migrantes permanecem em Ceuta após travessia em massa
Apesar de 48 mil pessoas terem retornado ao Marrocos, grupo de homens segue reunido em praia sem acesso a recursos básicos.
Por Redação Diário Local
Pelo menos 400 migrantes permanecem em Ceuta, cidade autônoma da Espanha, após uma travessia em massa vinda do Marrocos. Embora o governo espanhol informe que cerca de 48 mil das 50 mil pessoas que entraram no enclave já retornaram ao território africano, este grupo de homens se recusa a deixar a cidade.
A situação dos homens que permanecem no local tornou-se uma questão urgente para as autoridades espanholas. Reunidos em uma praia, os migrantes não possuem acesso a alimentos, água ou condições básicas de higiene, além de apresentarem ferimentos nos pés decorrentes da travessia marítima.
O fluxo migratório que atingiu o enclave foi motivado por uma decisão do Supremo Tribunal da Espanha, comunicada em 8 de julho. A Corte determinou que imigrantes que chegam por meio de travessia marítima não podem ser deportados de forma sumária, como ocorre com quem cruza fronteiras por terra ou por via aérea.
Segundo o entendimento da Corte, quem chega a nado não cruza uma barreira de fronteira convencional. Na prática, isso garante que os indivíduos tenham tempo suficiente dentro do enclave para apresentarem pedidos de asilo ou de regularização migratória.
Por que os migrantes permanecem em Ceuta?
A permanência está ligada ao direito de solicitar asilo garantido pela nova interpretação judicial. Embora Ceuta não faça parte do espaço Schengen — que permite a livre circulação entre países europeus e exige controles em portos e aeroportos para o acesso à Espanha peninsular —, o enclave é usado como primeiro passo estratégico para a regularização na União Europeia.
A travessia marítima, que pode variar entre 200 metros e 5 km de distância, apresenta riscos extremos. Durante o recente movimento de massa, ao menos 67 pessoas morreram durante o trajeto entre o Marrocos e o território espanhol.
Reforço na segurança e novas tentativas de entrada
Para conter a crise, o governo espanhol anunciou o envio de unidades militares para reforçar o policiamento no enclave. O ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, afirmou no sábado (1º) que o país interrompeu o fluxo de entrada e trabalha na instalação de barreiras de contenção aquáticas para dificultar novas travessias.
Apesar do reforço, novas tentativas de entrada foram registradas neste domingo (2). Imagens compartilhadas em redes sociais mostraram migrantes utilizando câmaras infláveis para nadar a partir do Marrocos e indivíduos arrombando portões para acessar a cidade, mantendo a tensão na região fronteiriça.
