Ministro de El Salvador afirma que EUA 'exportaram' gangues para o país após deportações
Gustavo Villatoro afirmou que organizações como MS-13 e Barrio 18 foram introduzidas via deportações em massa de salvadorenhos.
Por Redação Diário Local
O ministro da Segurança Pública e Justiça de El Salvador, Gustavo Villatoro, afirmou nesta segunda-feira (31) que os Estados Unidos foram responsáveis pela introdução de organizações criminosas no país. Segundo o ministro, as gangues Mara Salvatrucha (MS-13) e Barrio 18 não nasceram em território salvadorenho, mas foram trazidas por meio de deportações em massa de cidadãos ocorridas após a guerra civil.
A declaração foi feita durante uma conferência sobre segurança pública promovida pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em São Paulo. Villatoro explicou que o fluxo de criminosos para o país se intensificou no período posterior ao conflito civil (1979 a 1992), quando os Estados Unidos passaram a realizar deportações de salvadorenhos.
De acordo com o ministro, o raciocínio por trás das deportações naquele período seria o de devolver os indivíduos após a assinatura dos acordos de paz. "Isso foi uma exportação pós-guerra que os Estados Unidos fizeram quando começaram a deportar salvadorenhos", afirmou Villatoro durante o evento.
Villatoro também apresentou um histórico sobre o avanço da criminalidade no país, ao relacionar o cenário atual a decisões políticas do passado. Ele descreveu a guerra civil como um conflito imposto por potências externas e criticou o acordo de paz por ter estabelecido uma política de "perdão e esquecimento", o que, na visão dele, impediu o julgamento de criminosos de guerra.
A participação do ministro em São Paulo ocorreu um dia após um encontro com o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que declarou ter se inspirado no modelo de segurança de El Salvador para formular seu plano de combate ao crime organizado.
