Rússia ameaça ataques preventivos caso Ucrânia retome programa nuclear
Moscou advertiu que não aceita o país com arsenal nuclear e ameaçou realizar ataques preventivos em meio à escalada do conflito.
Por Redação Diário Local
A Rússia advertiu que não aceitará a existência de um programa nuclear na Ucrânia e ameaçou realizar ataques preventivos caso o país busque retomar capacidades nucleares. A medida pode elevar o conflito regional ao nível de uma crise mundial.
O impasse ocorre em meio ao prolongamento da guerra iniciada pela invasão russa em fevereiro de 2022, que violou a soberania ucraniana e resultou em centenas de milhares de mortos e feridos, além de milhões de refugiados e cidades destruídas.
A tensão sobre o uso de armas nucleares resgata o histórico do desarmamento ucraniano estabelecido no Memorando de Budapeste, assinado em 1994. Na ocasião, a Ucrânia, a Rússia, os Estados Unidos e o Reino Unido firmaram um compromisso para respeitar a independência e as fronteiras do país.
Como parte do acordo e do Tratado de Não Proliferação Nuclear, a Ucrânia transferiu suas ogivas para a Rússia. O país abrigava, em 1991, cerca de 1.900 ogivas estratégicas soviéticas, além de milhares de armas táticas, embora não detivesse o controle operacional ou infraestrutura de manutenção na época.
O presidente Volodymir Zelensky admitiu que a reconstrução de um programa nuclear militar exigiria tempo, instalações, tecnologia e testes, o que implicaria o rompimento do regime internacional de não proliferação. Por outro lado, Moscou utiliza a ameaça de ataques preventivos como forma de dissuasão para limitar o apoio ocidental.
Canais de inteligência e diplomacia
A escalada do conflito também foi marcada por movimentações de inteligência. Recentemente, o diretor da agência de espionagem norte-americana, CIA (Central Intelligence Agency), John Ratcliffe, realizou uma visita a Moscou, sendo a primeira de um chefe da agência à Rússia desde novembro de 2021.
Durante a missão, Ratcliffe reuniu-se com dirigentes dos serviços russos para tratar de temas como troca de prisioneiros, ações de inteligência e mecanismos para evitar um choque militar direto. O presidente Donald Trump classificou a missão como "semirrotineira".
A operação contou com protocolos de segurança, incluindo o aviso prévio de Washington a Kiev sobre a presença da delegação. Além disso, foi solicitada a suspensão temporária de ataques em áreas russas durante o deslocamento do comboio diplomático e do avião militar C-17.
