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Mortes de migrantes que tentavam entrar em Ceuta sobem para 72 corpos recuperados

Autoridades de Ceuta atualizaram para 72 o número de pessoas que morreram ao tentar atravessar a nado a fronteira entre Marrocos e o enclave espanhol.

Por Redação Diário Local

O número de pessoas que morreram ao tentar atravessar a nado a fronteira entre Marrocos e Ceuta, enclave espanhol no norte da África, subiu para 72, informaram autoridades locais neste domingo (2). O delegado do governo em Ceuta, Miguel Ángel Pérez Triano, confirmou que o balanço de corpos recuperados superou a contagem anterior de 67 mortos.

As mortes são resultado de uma tentativa de entrada em massa registrada na quinta-feira (30), quando cerca de 60 mil migrantes africanos nadaram em direção ao enclave. O episódio desencadeou uma nova crise migratória no norte da África e gerou instabilidade política na União Europeia.

Desde o ocorrido, o governo da Espanha trabalha para estabilizar a situação na região. Equipes de busca realizam operações nas águas para recuperar os corpos das vítimas da travessia marítima, enquanto a polícia e as tropas espanholas patrulham as ruas de Ceuta para garantir a ordem.

Para conter novos fluxos migratórios pelo mar, agentes da Guarda Civil espanhola instalaram uma barreira inflável e reforçaram a segurança com uma nova estrutura de 500 metros de boias no Mar Mediterrâneo. A maioria dos migrantes que atravessou a cerca fronteiriça retornou voluntariamente ao Marrocos em um período de 48 horas.

Por que a crise ocorreu?

O governo espanhol atribuiu o episódio à atuação de grupos criminosos, que teriam espalhado informações falsas de que uma decisão recente do Supremo Tribunal do país facilitaria a entrada de imigrantes. No entanto, analistas apontam outras possíveis motivações, como o uso da migração como pressão diplomática por parte do Marrocos, após a melhora nas relações entre Espanha e Argélia.

O governo marroquino não realizou declarações oficiais sobre o caso até o momento. A situação também mobilizou lideranças religiosas; durante a bênção do Angelus neste domingo (2), o papa Leão XIV manifestou preocupação com a crise e pediu soluções de paz e justiça.

Como a Europa está reagindo?

A resposta política no continente europeu tem sido marcada por divisões. A Itália suspendeu, a partir de sábado (1), o acordo de Schengen com a Espanha — que permite a livre circulação entre as fronteiras — por um período de um mês. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, classificou a reação de alguns países do bloco como "egoísta" em carta enviada aos líderes da União Europeia (UE).

Após uma carta aberta assinada por 22 membros do bloco pedindo medidas coordenadas contra entradas descontroladas de imigrantes, a UE agendou uma reunião por videoconferência para a próxima terça-feira (4). O objetivo é definir uma resposta conjunta para evitar novos episódios de desordem nas fronteiras.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.