Daniel Ortega afirma que Nicarágua não realizará mais eleições após o fim de seu mandato
Presidente Daniel Ortega anunciou que o país centro-americano não realizará novas eleições, eliminando disputa para o próximo ano.
Por Davy Albuquerque
O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, afirmou que o país centro-americano não realizará mais eleições. A medida elimina a possibilidade de uma disputa eleitoral quando seu atual mandato terminar no próximo ano.
O anúncio foi feito durante um discurso realizado na noite de domingo (19) para comemorar a revolução sandinista de 1979. Ortega, que esteve no poder ininterruptamente desde 2007, declarou que a decisão visa fechar caminhos para a oposição.
Em sua primeira aparição pública após dois meses, o mandatário afirmou que a medida impede que grupos que ele classifica como apoiados por potências estrangeiras tentem retomar o poder. "Não haverá mais eleições aqui para que eles tentem tomar o governo e o poder", disse Ortega.
O governo de Ortega tem consolidado o controle sobre as instituições do Estado por meio de reformas recentes. No ano passado, mudanças na Constituição incluíram a nomeação de sua esposa, Rosario Murillo, como copresidente.
Além da divisão do comando com a esposa, as reformas estenderam o mandato presidencial para seis anos. Atualmente, o casal exerce controle sobre praticamente todos os aspectos da administração, incluindo o Poder Judiciário e as Forças Armadas.
A última disputa eleitoral na Nicarágua ocorreu em 2021 e foi alvo de amplas contestações. Naquele período, o governo foi acusado de deter opositores e líderes empresariais, além de criminalizar a dissidência política.
Acusações de autoritarismo
O Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) acusou a gestão de Ortega e Murillo de transformar a Nicarágua em um Estado autoritário. Segundo o órgão, o país tem enfrentado violações sistemáticas de direitos humanos.
O cenário de instabilidade política na região acompanha o país desde abril de 2018. Naquele ano, o governo respondeu a protestos antigovernamentais com uma repressão que resultou na morte de mais de 300 pessoas.
