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Grupo planeja protestos em 125 cidades dos EUA contra expansão de centros de dados de IA

Manifestantes no grupo HumansFirst reúnem-se em mais de 120 locais para criticar infraestrutura de inteligência artificial.

Por Davy Albuquerque

O grupo HumansFirst coordena protestos neste sábado (18) em pelo menos 125 locais nos Estados Unidos contra a expansão dos centros de dados voltados à inteligência artificial (IA). A iniciativa é a primeira mobilização nacional coordenada para concentrar a indignação contra a infraestrutura tecnológica que tem impactado a política local do país.

Os manifestantes se reúnem para contestar o que a organização classifica como uma expansão "irresponsável" de centros de dados e uma "violação inaceitável de nossa liberdade". O movimento busca canalizar o descontentamento de moradores que veem o crescimento acelerado dessas estruturas como uma ameaça.

A organização HumansFirst foi cofundada por um ex-líder do movimento Tea Party. O fundador comparou a crescente oposição aos data centers ao movimento populista de direita que surgiu em 2009, em protesto contra a carga tributária excessiva e a interferência governamental.

Cidades e condados têm liderado a resistência contra novos projetos de infraestrutura. Em alguns casos, a aprovação de obras ocorreu por meio de acordos de confidencialidade assinados por autoridades locais com incorporadoras, mesmo diante da resistência de moradores ou da falta de fiscalização regulatória.

Por que há resistência aos centros de dados?

A indignação dos eleitores norte-americanos envolve preocupações com impactos diretos no cotidiano e no meio ambiente. Entre as principais ameaças citadas estão o risco de aumento nas contas de energia, o desvio de recursos hídricos e o aumento da poluição.

Diante desse cenário, políticos nos âmbitos estadual e nacional têm se esforçado para acompanhar a pressão popular. A oposição aos centros de dados é um dos poucos temas que tem conseguido unir diferentes espectros políticos nos Estados Unidos.

Uma pesquisa da Reuters/Ipsos, realizada em junho, mostrou que apenas um terço dos norte-americanos aprova o ritmo atual de construção dessas unidades. O levantamento destaca que a aceitação do setor é baixa entre a população.

O estudo apontou que apenas 14% dos entrevistados apoiariam a construção de um centro de dados em sua própria comunidade para dar suporte a projetos de inteligência artificial de empresas como Meta, Alphabet, Amazon, Microsoft e xAI. A Data Center Coalition, grupo de lobby do setor, afirmou anteriormente que as empresas estão comprometidas em serem vizinhos responsáveis nas comunidades onde operam.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.