Tecnologia revela recife de coral saudável na costa do Benin após ser dado como morto
Pesquisa com sonar e drones subaquáticos descobriu ecossistema saudável anteriormente considerado extinto na região do Golfo da Guiné
Por Davy Albuquerque
Cientistas descobriram um recife de coral saudável na costa do Benin, na África Ocidental, um ecossistema que era considerado morto desde a década de 1960. A descoberta foi possível graças ao uso de novas tecnologias de monitoramento oceânico, que desmentiram observações feitas há 60 anos sobre a região.
O estudo, liderado pelo pesquisador Gérard Zinzindohoué, do Instituto de Pesquisas Halieuticas e Oceanológicas do Benin, foi publicado na revista Frontiers in Marine Science neste domingo (19). Os resultados indicam que o conhecimento sobre a biodiversidade marinha de áreas costeiras da África Ocidental ainda é limitado.
Para localizar o ecossistema, a equipe utilizou ferramentas modernas como levantamento de sonar, sistemas de câmeras e drones subaquáticos. O uso desses dispositivos permitiu identificar sinais de vida em profundidades onde o recife era tido como inexistente.
Durante as investigações em áreas promissoras, os cientistas confirmaram a presença de um recife em boas condições de saúde. O local abriga oito tipos distintos de coral e oito espécies de peixes que vivem dentro e ao redor da estrutura.
O recife está localizado a mais de 50 metros de profundidade, o que o classifica como um ecossistema de coral mesofótico. Esse tipo de comunidade vive em profundidades maiores e pode se apresentar de forma dispersa no fundo do mar.
Diferente dos recifes rasos típicos, que formam uma única estrutura contínua, os sistemas mesofóticos podem existir espalhados. Segundo Zinzindohoué, este é o primeiro registro confirmado de um ecossistema de coral mesofótico vivo na plataforma continental do Golfo da Guiné.
A descoberta levanta questionamentos sobre o quanto a biodiversidade marinha da região ainda permanece sem registro. Para o pesquisador, o achado não deve ser visto como uma exceção isolada, mas como um reflexo do pouco que se sabe sobre o local.
De acordo com o autor principal do estudo, há uma possibilidade real de que outros sistemas de coral ainda não documentados existam pela região. O trabalho sugere que muitos outros recifes podem estar simplesmente esquecidos no fundo do oceano.
Quais foram as dificuldades técnicas da pesquisa?
Apesar do sucesso na localização, os pesquisadores enfrentaram limitações importantes durante o trabalho de campo. Não foi possível realizar a coleta de amostras físicas dos corais para uma análise laboratorial detalhada.
A ausência de fragmentos coletados impede a confirmação exata de quais são as espécies de coral presentes no recife. Sem o material biológico, a equipe não consegue identificar com precisão a fauna e a flora local.
Além disso, a falta de amostras impossibilita investigar o histórico de vida do ecossistema. Os cientistas não conseguem determinar se o recife sempre esteve vivo ou se ele chegou a morrer e passou por um processo de recuperação.
Os especialistas acreditam que a área não abriga uma barreira contínua de corais, mas mantêm a expectativa de novos achados. O uso de tecnologias avançadas de sonar e drones subaquáticos continua sendo a principal estratégia para explorar essas áreas desconhecidas.
