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Irã ameaça bloquear Estreito de Bab el-Mandeb em meio a conflito com Estados Unidos

Possível interrupção do canal estratégico pode elevar custos de frete e preços de petróleo e afetar cadeias globais de suprimentos

Por Davy Albuquerque

O regime islâmico do Irã afirmou que pode bloquear o Estreito de Bab el-Mandeb, rota marítima de grande importância para o comércio mundial, como resposta a ataques dos Estados Unidos contra o país. A declaração foi feita na última sexta-feira (17) por Mohammad Boroujerdi, comandante da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC).

Localizado na costa do Iêmen, o canal de 32 km de largura divide os continentes da Ásia e da África. A via é considerada um ponto estratégico de conexão entre o Oceano Índico e o Mar Vermelho, sendo essencial para o acesso ao Canal de Suez.

A importância da rota reside no volume de cargas que por ela transitam. Estima-se que o Estreito de Bab el-Mandeb movimente cerca de 12% do comércio marítimo global, 25% do fluxo de contêineres, entre 10% e 12% do petróleo mundial e 8% do comércio de gás natural liquefeito (GNL).

Por que o bloqueio afetaria a economia global?

Uma interrupção no canal pode gerar um estrangulamento logístico em escala planetária. Segundo o economista e gestor de riscos Rodrigo Provazzi, o fechamento afetaria não apenas o fluxo de energia, mas cadeias inteiras de suprimentos globais, incluindo eletrônicos, máquinas, autopeças e bens de consumo que circulam entre a Ásia e a Europa.

O professor Rodrigo Medina, da Unifesp, complementa que a passagem é a terceira mais importante para o fluxo comercial internacional. Um bloqueio poderia levar seguradoras internacionais a anularem a cobertura para o transporte de contêineres na região, devido ao risco de uso de drones, minas navais e mísseis pelos aliados do Irã, como o grupo Houthis.

Além disso, o impacto nos preços de combustíveis seria imediato, afetando desde o transporte rodoviário até o querosene de aviação, devido à variação do valor do frete marítimo.

Quais os impactos para o Brasil?

Embora o impacto direto no comércio exterior brasileiro seja considerado limitado — já que a maior parte das exportações e importações do país ocorre com a América Latina e os Estados Unidos —, os efeitos indiretos podem ser significativos. O aumento na volatilidade dos custos de logística e do frete internacional tende a pressionar os preços de produtos importados da Ásia e Europa.

Para o setor empresarial brasileiro, o risco principal reside na incerteza geopolítica, que pode gerar dificuldades de abastecimento e a necessidade de manter estoques maiores para compensar possíveis atrasos nas entregas.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.