Serviço de segurança da Rússia acusa CEO do Telegram de facilitar terrorismo
Serviço de segurança russo afirma que aplicativo é usado por inteligência ucraniana para recrutar jovens para sabotagens.
Por Redação Diário Local
O Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB) afirmou que o fundador e CEO do Telegram, Pavel Durov, facilita a prática de atividades terroristas. Segundo a agência, o aplicativo de mensagens é utilizado por serviços de inteligência ucranianos para organizar ataques em território russo.
De acordo com o FSB e o Comitê de Investigação do Estado, o recrutamento ocorre por meio de um chatbot chamado “Daivinchik/Leo”. A ferramenta, que funciona como um serviço de encontros, estaria sendo usada por espiões ucranianos que se disfarçam de mulheres jovens para contatar e coagir cidadãos russos.
O serviço de segurança relatou que 46 cidadãos russos, com idades entre 12 e 22 anos, foram presos no último ano após serem recrutados pelo método. Os alvos teriam sido orientados a atacar agentes da lei ou a incendiar infraestruturas estratégicas, como os setores de transporte, energia, comunicações e financeiro.
Como ocorrem as sabotagens?
Segundo as autoridades russas, o objetivo do recrutamento via chatbot é promover operações de sabotagem contra infraestruturas críticas do país. O uso de perfis falsos em aplicativos de relacionamento permitiria o contato direto com jovens para a execução de crimes.
O FSB informou que Durov foi incluído em uma lista internacional de procurados, embora não tenha detalhado o mecanismo jurídico que será utilizado. O paradeiro atual do executivo é desconhecido, mas ele informou que esteve na Geórgia na semana anterior ao anúncio das acusações nesta quarta-feira (29).
Contexto e defesa de Durov
Pavel Durov nega qualquer irregularidade e afirma que o Telegram cumpre e supera as obrigações de moderar conteúdo e cooperar com autoridades no combate ao crime. O executivo, que possui passaportes da França e dos Emirados Árabes Unidos, já havia defendido publicamente a liberdade de expressão e a privacidade das comunicações.
A investigação contra o CEO e a empresa, que tem sede em Dubai, é acompanhada há algum tempo. Em 2024, Durov foi preso na França sob a alegação de que o aplicativo não combatia adequadamente atividades criminosas, sendo liberado posteriormente enquanto as investigações continuam.
Atualmente, o acesso ao Telegram encontra-se bloqueado na Rússia, sendo utilizado pela população apenas por meio de ferramentas de VPN. Apesar das restrições, órgãos estatais russos, como o Kremlin e o Ministério da Defesa, mantêm publicações diárias na plataforma.
