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Geologia

Cientistas afirmam que deslizamento causou terremoto no Nepal e no Tibete

Sismólogos da USP contestam versão inicial e explicam que movimentação de massa de rochas e gelo gerou o sinal sísmico na região.

Por Redação Diário Local

O Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP) informou que um deslizamento de terra no norte do Nepal, próximo à fronteira com o Tibete, na China, foi o responsável por gerar o sinal sísmico registrado na região, e não um terremoto, como havia sido divulgado inicialmente.

Em nota publicada nesta segunda-feira (26), os cientistas da USP contestaram as afirmações de que um tremor de terra teria provocado o desastre natural. Para os sismólogos da instituição, o fenômeno ocorreu de forma inversa: o deslocamento de uma grande massa de materiais foi o que gerou a energia sísmica detectada pelas estações.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) havia classificado o evento, em um boletim automático inicial, como um terremoto de magnitude 4,4. No entanto, após realizar uma análise manual dos dados, o próprio órgão revisou a conclusão original.

Segundo o USGS, o sinal registrado não foi produzido por um terremoto tectônico, mas sim pela movimentação de uma enorme massa, provavelmente composta por uma mistura de rochas, água e gelo. O movimento desse material gerou uma energia sísmica que equivale à de um sismo de magnitude 5,2.

Como foi feita a distinção entre deslizamento e terremoto?

A correção do diagnóstico foi possível por meio da análise das ondas de longo período, técnica que permitiu ao USGS descartar a ocorrência de um fenômeno tectônico. O estudo das ondas diferenciou o movimento da massa do padrão típico de um terremoto.

Os especialistas explicam que deslizamentos de grande porte, colapsos de encostas e avalanches de rocha ou gelo também irradiam energia sísmica. Esses eventos podem ser detectados por instrumentos de medição mesmo a dezenas, centenas ou até milhares de quilômetros de distância.

De acordo com a análise técnica, um deslizamento é caracterizado por uma força única aplicada na superfície. Esse fenômeno está diretamente ligado ao momento linear da massa em movimento, sendo o fator da velocidade um elemento determinante para a leitura do sinal.

Com a revisão dos dados, o Centro de Sismologia da USP reforçou que a leitura correta do evento é a de que o deslizamento foi o agente gerador do sinal, e não a consequência de um tremor prévio.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.