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Ciência

NASA sobrevoa incêndio para estudar nuvens perigosas geradas por fumaça

Pesquisadores coletaram amostras de fumaça em Utah para entender como as nuvens pirocumulonimbus afetam a estratosfera e o clima.

Por Redação Diário Local

Pesquisadores da NASA realizaram um sobrevoo sobre um incêndio de grandes proporções em Utah, nos Estados Unidos, para estudar o comportamento das nuvens pirocumulonimbus (piroCb). A equipe coletou amostras de fumaça durante a ação, ocorrida na segunda-feira (3), com o objetivo de entender como essas formações alcançam a estratosfera.

As nuvens pirocumulonimbus são geradas pelo calor de incêndios florestais e possuem a capacidade de injetar partículas e gases na estratosfera, camada da atmosfera que geralmente é seca e sem nuvens. Ao atingirem altitudes superiores a 20 km, a fumaça pode permanecer orbitando a Terra por meses ou anos, o que pode influenciar a camada de ozônio e o balanço energético do planeta.

O fenômeno se diferencia das nuvens cumulonimbus comuns, conhecidas como 'nuvens de bigorna', que atingem cerca de 17 km de altura. Já as nuvens piroCb canalizam pulsos de materiais para a alta atmosfera, um processo que pode ser impulsionado por explosões sequenciais de fogo, como detectado por satélites no incêndio de Utah.

Riscos e perigo para operações de emergência

A formação dessas nuvens representa um desafio para a segurança pública e para o monitoramento meteorológico. As piroCb podem gerar tempestades, raios, granizo e chuvas torrenciais. A ocorrência de múltiplas nuvens em um único dia dificulta o trabalho de meteorologistas e de bombeiros, além de complicar a organização de evacuações de áreas próximas.

A ciência ainda busca respostas para o comportamento dessas formações. De acordo com a NASA, ainda não está claro qual tipo de vegetação tem maior probabilidade de alimentar as piroCb, por que algumas geram mais raios do que outras ou como prevê-las com precisão. A dificuldade em entender essas nuvens é um dos motivos que levaram ao sobrevoo em Utah.

Impacto no clima e meio ambiente

O impacto ambiental dessas nuvens é significativo. Estima-se que os incêndios florestais possam contribuir com até 25% do carbono negro e dos aerossóis orgânicos na baixa estratosfera. Durante uma temporada de incêndios, a massa total de partículas injetada por essas nuvens pode rivalizar com o volume de grandes erupções vulcânicas.

Os registros de ocorrências mostram uma frequência relevante em diversas regiões. Estima-se que ocorram cerca de 70 nuvens piroCb por ano nas florestas do Canadá e da Rússia, além de registros em pastagens e savanas nos Estados Unidos e na Austrália. Em 2026, pelo menos 13 eventos desse tipo já foram identificados nos Estados Unidos.

Desde que os primeiros relatos de pirocumulonimbus surgiram na literatura científica, no início dos anos 2000, já foram catalogados mais de 700 eventos no mundo. Especialistas alertam que, em um cenário de aquecimento global, os grandes incêndios podem gerar seu próprio clima, criando um ciclo de ventos e raios que retroalimenta o fogo.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.