Plano de vender ações da Fifa seria cancelado após rejeição e elevaria salário de Infantino em seis vezes
Projeto de criação de empresa para gerenciar torneios como a Copa do Mundo sofreu rejeição de confederações como a Uefa
Por Redação Diário Local
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, desistiu de criar uma empresa para gerenciar a operação de suas principais competições após sofrer rejeição de confederações internacionais. O plano previa a venda de ações da nova subsidiária para investidores privados.
A iniciativa visava a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), uma companhia que ficaria responsável por consolidar as operações de torneios como a Copa do Mundo e a Copa do Mundo de Clubes. O objetivo era arrecadar até US$ 4,2 bilhões (R$ 21,5 bilhões) com a entrada de capital externo.
De acordo com informações do jornal inglês The Times, o projeto também teria impacto financeiro direto para o dirigente. Caso a FFE fosse estabelecida, o salário anual de Infantino passaria de US$ 4,8 milhões brutos — valor registrado em relatório de transparência da Fifa para 2025 — para US$ 30 milhões (R$ 152,4 milhões).
Por que o plano foi rejeitado?
A proposta sofreu forte oposição de entidades como a Uefa, que anunciou que seus 55 representantes boicotariam competições futuras da Fifa se o projeto continuasse em curso. Em comunicado divulgado neste sábado (1), a Uefa afirmou que a atual liderança da Fifa perdeu a confiança das federações europeias e de outros membros do futebol.
Além da Uefa, a Concacaf (que reúne países das Américas do Norte, Central e Caribe) e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) também emitiram notas de reprovação. O sindicato internacional dos atletas, Fifpro, também se posicionou contra a medida.
A Conmebol, por sua vez, manteve uma posição de neutralidade durante o processo. A pressão das confederações levou Infantino a anunciar a desistência da criação da subsidiária na última sexta-feira (31), três dias após a divulgação da possibilidade da venda de ações.
O que muda para a presidência da Fifa?
A estrutura da FFE permitiria que o dirigente ocupasse o comando da nova empresa sem o limite de mandatos previsto nas regras atuais da Fifa. Pelas normas vigentes, Infantino só poderia permanecer no cargo até 2031, caso seja reeleito no processo de 2027.
Com o cancelamento do projeto, a Fifa mantém o modelo de gestão atual, sem a entrada dos investidores privados previstos para a operação direta dos grandes torneios.
