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EUA

Proposta de Trump para entrega de armas em domicílio pode facilitar acesso de PCC e CV a fuzis

Medida do Departamento de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos (ATF) prevê entrega domiciliar de armas compradas online nos Estados Unidos

Por Davy Albuquerque

Uma proposta do governo dos Estados Unidos pode facilitar o acesso de facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), a fuzis fabricados no país ao permitir a entrega domiciliar de armas compradas pela internet.

As facções são classificadas pela Casa Branca como terroristas. A medida integra um pacote de 34 mudanças regulatórias anunciado pelo Departamento de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos (ATF). O objetivo, segundo o governo, é reduzir entraves ao exercício do direito constitucional de portar armas e revisar políticas da gestão anterior.

A nova modalidade, denominada Non-Over-the-Counter Sales (NOTC), elimina a necessidade de o comprador comparecer presencialmente a uma loja para retirar o produto adquirido. As armas poderão ser enviadas ao endereço do comprador, desde que sejam cumpridas verificações de identidade digitais.

Como funcionará a verificação de identidade?

De acordo com o ATF, o processo de verificação de antecedentes permanecerá o mesmo. Para as vendas remotas, os compradores deverão passar pela checagem do National Instant Criminal Background Check System (NICS) e comprovar a identidade por meio de uma videoconferência ao vivo.

O órgão afirmou que o modelo exige o uso de um padrão de segurança digital (NIST IAL2/AAL2) que requer autenticação em múltiplos fatores. Segundo a agência, esse procedimento de verificação seria até mais rigoroso do que a conferência presencial realizada atualmente por vendedores licenciados.

Riscos de desvio e críticas

Apesar das garantias do governo norte-americano, organizações de controle de armas criticaram as alterações. A presidente da organização Giffords, Emma Brown, afirmou que as mudanças podem facilitar vendas sem fiscalização adequada e beneficiar a indústria armamentista.

Críticos argumentam que a retirada presencial funciona como uma camada de segurança contra fraudes e o uso de "compradores laranjas" (straw purchasers), que adquirem armas legalmente para desviá-las ao mercado clandestino. Questionada sobre o risco de favorecer o tráfico internacional, a ATF afirmou que espera que os impactos na segurança pública sejam mínimos.

O cenário no Brasil

Os Estados Unidos são uma das principais origens de fuzis apreendidos com organizações criminosas brasileiras. Um levantamento do Instituto Sou da Paz mostrou que, entre 2019 e 2023, 738 dos fuzis apreendidos no Brasil haviam sido fabricados em solo norte-americano.

O volume de apreensões de fuzis no Brasil tem apresentado crescimento. Em 2025, o número de unidades apreendidas chegou a 2.152, o que representa uma alta de 167% em comparação com o registrado em 2021.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.