Análise aponta que proposta de tarifa de 25% dos EUA visa pressionar o Brasil
Segundo coluna de Mary Zaidan, novas taxações podem aumentar dependência brasileira em relação à China e buscar concessões de regalias.
Por Davy Albuquerque
O governo de Donald Trump mantém a estratégia de aplicar uma taxação de 25% sobre produtos brasileiros como parte de um conjunto de pressões diplomáticas e comerciais. Washington busca obter regalias para empresas de tecnologia norte-americanas, acesso a recursos de terras raras e mudanças no sistema de pagamentos Pix, visando o fim de sua gratuidade.
As negociações entre o Brasil e os Estados Unidos não avançam devido à natureza das exigências impostas pela administração Trump. Segundo análise da jornalista Mary Zaidan, os termos apresentados por Washington são vistos como tentativas de submissão, apresentando condições que o governo brasileiro considera inaceitáveis para um acordo.
A imposição das tarifas ocorre em um cenário de tensões regionais coordenadas pela Casa Branca. Trump já utilizou medidas similares contra o México e o Canadá, além de ter exercido pressão na América Central para revisar contratos relacionados à operação do Canal do Panamá.
Na América do Sul, a postura norte-americana resultou em incursões na Venezuela e na captura de Nicolás Maduro. Com grande parte dos países da região alinhada aos interesses de Washington, o Brasil é apontado como o principal obstáculo aos planos de influência continental dos Estados Unidos.
Quais os riscos econômicos para o Brasil?
A manutenção do tarifaço de 25% sobre as exportações nacionais pode alterar o fluxo de comércio exterior do país. Um dos efeitos diretos é o risco de o Brasil buscar maior abertura e fortalecer a dependência comercial com a China, que é a principal rival estratégica dos Estados Unidos.
O cenário de barreiras comerciais também pode gerar repercussões na política interna brasileira. A medida de Trump tem o potencial de fortalecer a campanha do presidente Lula, ao atrair o apoio de setores do empresariado que possuem reservas em relação ao atual governo petista.
Como os EUA tratam os vizinhos?
A estratégia de Washington tem sido marcada por pressões constantes sobre os vizinhos do norte, como México e Canadá, embora tenha havido recuos parciais em tarifas contra o México. Na América Central e no Caribe, o governo norte-americano também realizou operações militares e pressionou regimes locais.
O histórico de Trump na região inclui o controle de recursos, como o petróleo venezuelano, e a busca por influenciar governos vizinhos através de apoio a grupos políticos locais. O Brasil, como décima maior economia do mundo, permanece como o ponto de maior resistência a esse modelo de influência.
