Especialista avalia que Ucrânia deve pressionar Trump devido à situação política nos EUA
Cenário de escassez de mísseis e conjuntura política americana criam oportunidade para Zelensky buscar apoio.
Por Redação Diário Local
A Ucrânia enfrenta um cenário de extrema dificuldade no conflito contra a Rússia, caracterizado pela falta de inteligência, falhas no acesso ao sistema Starlink e escassez de mísseis Patriot. Diante dessa conjuntura, o CEO da Arko Advice Internacional, Thiago de Aragão, avalia que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, possui uma janela de oportunidade para exercer pressão sobre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
De acordo com o especialista, o momento político nos Estados Unidos favorece a estratégia ucraniana. Aragão aponta que Trump atravessa um período delicado em função do processo eleitoral, com riscos de perder o controle da Câmara dos Deputados e do Senado.
O cenário diplomático é agravado por contradições entre as duas nações. O líder ucraniano observa que, embora dependa do suporte estadunidense, os Estados Unidos têm adquirido combustíveis da Rússia, o que contraria acordos estabelecidos anteriormente. Essa divergência tem impulsionado um tom mais incisivo por parte de Zelensky.
O histórico entre as lideranças também é marcado por tensões de ordens passadas. Durante o primeiro mandato de Trump, uma gravação revelou que o presidente americano teria condicionado a liberação de US$ 600 milhões para a compra de armas à busca de informações sobre o filho de Joe Biden, que era conselheiro da empresa de energia Burisma.
O episódio mencionado gerou um processo de impeachment na Câmara dos Deputados dos Estados Unidos. Analistas apontam que esse embate histórico contribuiu para o desgaste na relação entre Trump e Zelensky, influenciando o clima político atual entre os dois países.
Reforço do apoio europeu
O posicionamento mais rígido de Zelensky é acompanhado por movimentos de potências europeias. O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou que o país não defende apenas a Ucrânia, mas a própria ordem política do continente contra as ações russas.
O presidente francês, Emmanuel Macron, também tem defendido que a Europa não deve permitir uma vitória russa, enquanto o Reino Unido mantém o suporte consistente ao governo de Kiev. Essas declarações reforçam a resistência do bloco contra o avanço do conflito.
Contudo, especialistas ponderam que o suporte europeu possui limitações comparativas. Embora relevante, o volume e a qualidade dos recursos da Europa para enfrentar a Rússia são considerados inferiores aos dos Estados Unidos, reflexo da divisão de tarefas estabelecida na OTAN durante e após a Guerra Fria.
