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Economia

Especulação de que China esconde compra de títulos dos EUA através de outros países ganha força

Analistas de Wall Street suspeitam que Pequim transfere ativos para bancos em outros países, como o Canadá, para mascarar dependência do dólar.

Por Redação Diário Local

Analistas de Wall Street levantam a hipótese de que a China pode estar utilizando países terceiros para ocultar a manutenção de suas posições em títulos do Tesouro dos Estados Unidos. O movimento buscaria mascarar o papel central de Pequim no financiamento do déficit americano, enquanto transmite uma imagem de redução da dependência do dólar.

Os dados oficiais dos Estados Unidos mostram que a China vem reduzindo gradualmente suas reservas em títulos do Tesouro americano desde 2016. O montante caiu pela metade, atingindo US$ 618 bilhões. No setor de títulos hipotecários garantidos pelo governo federal, a participação chinesa também recuou quase 50% desde o início de 2024.

No entanto, o aumento expressivo da participação de outros países, como o Canadá, chama a atenção de estrategistas. O Canadá acumulou quase US$ 600 bilhões em títulos americanos, um volume mais de quatro vezes superior ao registrado cinco anos atrás.

Por que a China ocultaria os ativos?

Para especialistas do mercado, a explicação seria a transferência de títulos para bancos custodiantes localizados em outros países. Dessa forma, os ativos deixam de constar como propriedade chinesa nos registros do Tesouro dos EUA, mas permanecem no sistema financeiro global.

Essa manobra teria vantagens estratégicas para Pequim. Além de reforçar o discurso de desafio à hegemonia do dólar, evitaria uma venda real e massiva de ativos. Uma liquidação em larga escala poderia valorizar o yuan, tornando as exportações chinesas menos competitivas, e causaria perdas diretas para a carteira de investimentos da China.

A economia chinesa, ao manter um superávit comercial superior a US$ 1 trilhão com o restante do mundo, enfrenta o desafio de encontrar alternativas para alocar o grande volume de dólares que recebe através de suas exportações.

O caso do Canadá e outras dúvidas

O crescimento dos títulos hipotecários americanos registrados no Canadá é um dos pontos de maior ceticismo. O montante saltou de US$ 21 bilhões em 2021 para aproximadamente US$ 162 bilhões atualmente. Embora o mercado suspeite de influência chinesa, não há evidências diretas de que o aumento nas posições canadenses esteja ligado a bancos locais agindo em nome de Pequim.

Alguns estrategistas argumentam que o movimento pode ter outras causas, como estratégias de fundos de investimento canadenses. No entanto, a teoria da redistribuição de ativos para mascarar a origem do capital é um debate recorrente no mercado financeiro há mais de uma década, com registros semelhantes observados na Bélgica em 2014.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.