China e Coreia do Norte inauguram ponte sobre o rio Yalu para impulsionar comércio bilateral
Nova infraestrutura sobre o rio Yalu visa facilitar a circulação de mercadorias e desafogar rota antiga entre os dois países.
Por Redação Diário Local
A China e a Coreia do Norte inauguraram oficialmente nesta quinta-feira (15) uma nova ponte sobre o rio Yalu, que servirá como a principal conexão terrestre entre as duas nações. A infraestrutura tem o objetivo de reativar o comércio bilateral e desafogar a antiga rota Dandong-Sinuiju, que é responsável por mais de 70% das trocas comerciais oficiais entre os dois países.
A nova via deve facilitar a circulação de mercadorias, insumos e maquinário chinês para o território norte-coreano. Embora a construção sobre o rio Yalu tenha sido concluída ainda em 2014, a abertura da ponte foi adiada devido à falta de vias de acesso no lado da Coreia do Norte e aos impactos da pandemia de covid-19.
A estrutura visa reduzir a sobrecarga na rota Dandong-Sinuiju, que possui limitações operacionais. A via antiga, utilizada para o transporte de caminhões, carros e uma linha ferroviária, permite que o tráfego de veículos siga em apenas uma direção por vez.
Como funcionará o fluxo comercial na nova ponte?
Especialistas avaliam que a nova ponte pode tornar o tráfego mais transparente e sujeito à fiscalização aduaneira em comparação ao contrabando transfronteiriço. Durante a cerimônia de inauguração, o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, afirmou que a medida impulsionará a cooperação econômica e os intercâmbios entre os povos.
Apesar da expectativa de auxílio ao desenvolvimento econômico da Coreia do Norte, não se prevê uma recuperação imediata do comércio em larga escala. O cenário é limitado pelas sanções impostas pelas Nações Unidas (ONU) devido aos programas nucleares e de mísseis do regime de Pyongyang.
Contexto de aproximação com a Rússia e influência da China
A inauguração ocorre cerca de um mês após a Coreia do Norte abrir uma nova ligação terrestre com a Rússia. O movimento faz parte de um esforço de Pyongyang para estreitar laços com Moscou, incluindo o envio de soldados e armamentos para apoiar o conflito russo na Ucrânia.
A abertura da ponte é vista como uma tentativa da China de reafirmar sua influência econômica preponderante sobre a Coreia do Norte. Em 2025, Pequim foi responsável por cerca de 98% do comércio exterior do país norte-coreano.
A fronteira entre China e Coreia do Norte estende-se por mais de 1.400 quilômetros e conta com, pelo menos, 17 ligações rodoviárias e ferroviárias ativas, segundo dados do governo sul-coreano.
