União Europeia cobra cumprimento de acordo comercial pelos Estados Unidos após novas tarifas
Bloco europeu afirma que já cumpriu compromissos e exige que governo Trump respeite o entendimento firmado no ano passado
Por Redação Diário Local
A União Europeia (UE) afirmou nesta sexta-feira (24) que espera que os Estados Unidos cumpram integralmente o acordo comercial firmado entre as partes e em vigor desde 1º de julho. O posicionamento ocorre após o governo de Donald Trump anunciar novas tarifas sobre produtos importados sob a justificativa de combater o trabalho forçado nas cadeias globais de produção.
Em comunicado, um porta-voz da Comissão Europeia afirmou que o bloco já cumpriu os compromissos previstos no entendimento e que continuará dialogando com a administração americana para garantir que os compromissos de Washington sejam respeitados.
A cobrança europeia acontece pouco mais de um mês após o Parlamento Europeu aprovar a redução de tarifas de importação sobre diversos produtos americanos. A votação ocorreu na segunda-feira (16), consolidando o cumprimento da parte europeia do acordo firmado no ano passado.
Pelo entendimento, os europeus concordaram em eliminar tarifas sobre produtos industriais dos Estados Unidos e ampliar o acesso de produtos agrícolas americanos ao mercado europeu. Em contrapartida, os Estados Unidos mantiveram tarifas de 15% sobre a maior parte dos bens exportados pelo bloco.
As novas medidas tarifárias foram anunciadas pelos Estados Unidos na quinta-feira (23) e incluem uma sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros e de outros parceiros, incluindo a União Europeia. Com essa medida, a carga tarifária sobre alguns itens exportados pelo Brasil pode chegar a 37,5%, somando-se às tarifas anunciadas na semana passada.
As tarifas fazem parte de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) que concluiu que diversos países não possuem mecanismos suficientes para impedir a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado em seus mercados. Segundo o órgão, o Brasil e a União Europeia falham na fiscalização de suas cadeias de importação.
Contudo, analistas de comércio internacional observam que a investigação não apresentou casos concretos de produtos brasileiros produzidos nessas condições que tenham sido identificados no mercado americano. Além disso, setores como a pecuária e a cafeicultura, frequentemente associados a riscos de trabalho análogo à escravidão no Brasil, ficaram fora das principais sobretaxas anunciadas por Washington.
Para especialistas, a ofensiva comercial também reflete a estratégia do governo americano de proteger sua própria indústria e aumentar a pressão sobre a China e outros concorrentes. Dados da fundação Walk Free mostram que os próprios Estados Unidos lideram o ranking mundial de importações potencialmente expostas ao risco de trabalho forçado, com movimentações de cerca de US$ 169,6 bilhões por ano.
Segundo os mesmos dados de 2023, o Brasil apresenta um volume significativamente menor nesse indicador, com aproximadamente US$ 5,6 bilhões em mercadorias associadas ao risco de trabalho forçado.
