Diário Local
Ucrânia

Zelensky sinaliza abertura para acordos após protestos em Kiev contra comando militar ucraniano

Manifestantes em Kiev pedem a saída de comandante-geral após demissão de ex-ministro da Defesa; governo sinaliza diálogo.

Por Davy Albuquerque

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, sinalizou abertura para dialogar com as demandas da sociedade após manifestações de milhares de pessoas em Kiev. Os protestos, que ocuparam praças centrais da capital, surgiram em decorrência da demissão do ex-ministro da Defesa e geraram debates sobre as estratégias de guerra do país.

A administração ucraniana indicou que está atenta às vozes nas ruas. Segundo Kyrylo Budanov, chefe de gabinete de Zelensky, a posição da sociedade foi ouvida em comunicado divulgado nesta segunda-feira (20). O movimento, que começou pedindo o retorno de Mykhailo Fedorov, evoluiu para cobranças contra o alto comando militar.

Na sexta-feira (17), o foco dos manifestantes mudou. Após exigirem a permanência de Fedorov, os grupos passaram a pedir a saída do comandante-geral da guerra, Oleksandr Syrskyi. O conflito entre os dois líderes envolveu divergências sobre prioridades de gastos: o uso de tecnologia robótica e drones versus a aquisição de munição de artilharia.

Por que houve o conflito entre o ex-ministro e o comandante?

Mykhailo Fedorov, de 35 anos, acusou o comandante Syrskyi de bloquear a aquisição de novos drones e robôs terrestres, além de favorecer aliados na distribuição de armamentos. O ex-ministro defendeu a priorização de tecnologias não tripuladas, enquanto o general pressionava pela compra imediata de munição de artilharia.

Em resposta à pressão popular, Zelensky iniciou uma série de chamadas de vídeo com comandantes militares nos últimos dias para ouvir as reclamações. O comandante Syrskyi, de 60 anos, utilizou um artigo publicado para pedir desculpas a Fedorov nesta segunda-feira (20). O general também afirmou que as tropas na cidade de Kostiantynivka utilizarão drones e robôs o máximo possível.

Como os protestos afetam a política ucraniana?

A resposta de Zelensky aos movimentos de rua reflete uma tradição política no país, onde as manifestações são consideradas pilares da democracia. Historicamente, multidões em Kiev tiveram papel decisivo em momentos como a independência em 1991 e movimentos em 2004 e 2014.

A atual onda de indignação também é alimentada por pressões sobre métodos de recrutamento e questões de supervisão anticorrupção. A deputada Liudmyla Buimister alertou que a falta de uma liderança definida nos protestos os torna imprevisíveis e pode aumentar o risco de instabilidade caso as demandas não sejam atendidas.

Especialistas locais apontam que a legitimidade do governo depende da capacidade de Zelensky em responder às massas durante a guerra. O presidente, que incluiu outros postos para Fedorov, mas não teve aceitação do ex-ministro, busca equilibrar a manutenção da ordem militar com a pressão popular acumulada.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.