PGR investiga Jorginho Mello por ofensas a indígenas em Santa Catarina
Conselho Nacional de Direitos Humanos acionou a Procuradoria Geral da República após o governador proferir insultos a lideranças Xokleng.
Por Davy Albuquerque
O Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para investigar o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL). A representação, protocolada na segunda-feira (13), ocorre após o governador proferir insultos a integrantes do povo Xokleng durante uma visita oficial.
O episódio aconteceu no dia 8 de julho, em José Boiteux, enquanto o governador acompanhava as obras da Barragem Norte. Durante entrevista a jornalistas, Mello afirmou que estava "restaurando tudo o que foi destruído pelos indígenas".
De acordo com registros de vídeo, o governador interrompeu a conversa para se dirigir aos indígenas presentes, utilizando termos ofensivos. Em outro momento da gravação, ao ser questionado por uma mulher que se identificou como cacique, Mello teria respondido com desdém quando ela cobrou respeito.
O CNDH, órgão vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos, argumentou na representação que o episódio atingiu uma liderança tradicional. Segundo o conselho, a conduta alcançou a dignidade e a honra coletiva do povo Xokleng.
A Barragem Norte está localizada na Terra Indígena Laklãnõ Xokleng, área que registra histórico de conflitos entre a comunidade e o governo de Santa Catarina. Jorginho Mello, que busca a reeleição em 2026, é aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Procurada, a assessoria do governador divulgou nota sobre a visita à barragem, mas não mencionou as ofensas ou o acionamento da PGR. O comunicado afirmou que a obra é estratégica para a segurança de moradores do Vale do Itajaí e que o grupo de indígenas que protestou no local apresentava pautas de responsabilidade federal.
O governo estadual informou que está aplicando cerca de R$ 34 milhões em melhorias estruturais na Terra Indígena Ibirama-La Klãnõ. O pacote de investimentos prevê a construção de 91 casas, duas igrejas, uma escola, além de obras em estradas, pontes e um museu.
A gestão destacou que está cumprindo um acordo firmado há cerca de 20 anos entre o governo federal, o estado e as comunidades indígenas. O governo afirmou que manterá o cronograma das obras para garantir a proteção de vidas e reduzir riscos de enchentes na região.
