Diário Local
Poços de Caldas

Conselho proíbe Flipoços no Parque José Afonso Junqueira em Poços de Caldas

Decisão do Condefact baseia-se em relatório da prefeitura que apontou irregularidades no uso do espaço e riscos ao patrimônio tombado.

Por Davy Albuquerque

O Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico e Artístico de Poços de Caldas (Condefact) proibiu a realização do Festival Literário Internacional de Poços de Caldas (Flipoços) no Parque José Afonso Junqueira a partir de 2027. A decisão foi baseada em um relatório da prefeitura que apontou irregularidades no uso do espaço público durante edições anteriores do evento.

Uma vistoria realizada pela Secretaria Municipal de Turismo durante a Feira do Livro deste ano identificou problemas como o uso de cadeiras sobre o gramado, a montagem de tendas de apoio em áreas verdes e instalações elétricas fora das normas de segurança. O conselho também levou em conta o fato de o parque integrar o conjunto hidrotermal e hoteleiro da cidade, tombado como Patrimônio Cultural do Estado em abril deste ano.

A prefeitura também apontou a ausência de contrapartidas financeiras destinadas à preservação do parque. Em resposta, a organizadora do Flipoços, Gisele Ferreira, afirmou que a taxa paga pela utilização do espaço neste ano ultrapassou R$ 23 mil, mas que os valores pagos referem-se ao uso do espaço municipal, sem destinação específica para conservação.

O que diz a organização do evento?

A idealizadora do festival rebateu os apontamentos técnicos e afirmou que a estrutura é projetada para preservar o ambiente. Segundo Gisele, as tendas utilizam pesos para não furar o solo e a ocupação da grama com cadeiras é considerada uma "ocupação qualificada" necessária para o público.

Ferreira afirmou que continuará defendendo a permanência do evento no centro histórico para reverter a proibição. Ela destacou a importância da realização do festival em uma cidade com identidade literária.

Busca por solução e diálogo

O presidente da Câmara Municipal, Douglas Dofu (União Brasil), questionou o Poder Executivo sobre os motivos da proibição e defendeu a abertura de um diálogo. Ele ressaltou que outros eventos de grande porte, como o Carnaval e o Natal, também ocorrem no local e geram grande circulação de pessoas sobre o gramado.

O secretário municipal de Planejamento, Hércules Tassinari, reconheceu a importância cultural do Flipoços, mas afirmou que a decisão do Condefact seguiu análises técnicas sobre o uso do parque. Diante do impasse, a Secretaria de Turismo propôs a criação de uma mesa de diálogo com todos os envolvidos para buscar um consenso.

Em nota, o Condefact esclareceu que não há favorecimento ou desfavorecimento a qualquer evento. O órgão afirmou que cada solicitação é analisada individualmente, considerando o impacto no patrimônio, o tempo de ocupação e as medidas de mitigação apresentadas pelos organizadores.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.