Educação de Belo Horizonte entra para o top 10 das capitais no índice de qualidade do ensino
Ensino municipal de BH alcançou o 7º lugar nos anos finais do fundamental e o 8º nos anos iniciais, segundo dados do MEC e Inep
Por Redação Diário Local
A rede municipal de ensino de Belo Horizonte está entre as dez melhores capitais do Brasil em qualidade educacional, de acordo com o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025. Os dados, divulgados nesta quarta-feira (5) pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mostram que a capital mineira voltou a registrar crescimento no índice após quase uma década.
No segmento dos anos finais do ensino fundamental (do 6º ao 9º ano), Belo Horizonte alcançou a 7ª posição entre as capitais, com nota 5,2. O desempenho supera os 4,7 pontos registrados em 2023. Já nos anos iniciais do ensino fundamental (do 1º ao 5º ano), a cidade ficou em 8º lugar, com nota 6,2, sendo o melhor resultado desde 2017.
O prefeito Álvaro Damião comemorou os números e destacou o esforço da comunidade escolar. Segundo o gestor, o objetivo da gestão é fazer com que a capital entre no top 5 do ranking e, futuramente, atinja o topo do país.
O cenário em Minas Gerais
No estado de Minas Gerais, o Ideb apresentou resultados distintos conforme a etapa de ensino. O estado atingiu a meta no ensino fundamental, registrando 6,6 pontos nos anos iniciais e 5,5 pontos nos anos finais. Na comparação com o ano anterior, o índice dos anos finais subiu em relação aos 4,9 pontos de 2023.
Contudo, o desempenho no ensino médio ficou abaixo da meta estabelecida de 5,2 pontos, fechando com 4,6. Apesar de não atingir o alvo, o índice estadual superou os 4,2 pontos registrados em 2023. O governador Mateus Simões afirmou que o resultado é fruto de investimentos em reformas de escolas e no ensino em tempo integral.
Desafios e análise técnica
O economista e especialista em educação pela UFMG, Cláudio de Moura Castro, analisa que os atuais índices representam uma recuperação dos patamares registrados antes da pandemia de COVID-19. Para o especialista, o crescimento mais acelerado ocorre nos anos iniciais, enquanto o ensino médio permanece como o setor mais problemático.
Castro aponta que o ensino médio enfrenta questões estruturais, como currículos distantes da realidade dos jovens e dificuldades na preparação de professores. Ele destaca que a melhora recente no setor foi essencialmente uma recuperação de perdas causadas pela pandemia, sem representar um salto de qualidade sustentado.
O índice Ideb é calculado com base em dados do Censo Escolar e do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). A nota, que varia de 0 a 10, combina o desempenho dos alunos em língua portuguesa e matemática com as taxas de aprovação escolar.
