Campos do Jordão teve origem com portugueses e foi construída por nordestinos
Cidade conhecida pela estética europeia teve fundação por portugueses e desenvolvimento impulsionado por migrantes nordestinos.
Por Redação Diário Local
Campos do Jordão, conhecida como a "Suíça brasileira" devido ao clima e ao estilo arquitetônico, possui uma trajetória de ocupação marcada pela influência de portugueses e pelo trabalho de migrantes nordestinos. A fundação do município ocorreu em 1874, quando o português Matheus da Costa Pinto adquiriu as terras para estabelecer uma fazenda de gado.
O desenvolvimento da cidade ganhou ritmo na década de 1920, quando a região passou a atrair pacientes com tuberculose em busca do clima frio e do ar da serra para tratamento. O movimento de familiares e amigos dos pacientes internados acabou impulsionando o turismo, que hoje é a principal atividade econômica local e projeta receber 6 milhões de visitantes este ano.
Apenas durante a temporada de inverno, o município registra a circulação de aproximadamente 2,2 milhões de turistas. Esse fluxo consolidou a vocação da cidade após o declínio da atividade dos sanatórios, que funcionou como um dos pilares do crescimento urbano entre as décadas de 1940 e 1960.
Por que a cidade tem estilo europeu?
A estética de Campos do Jordão é fruto de um estilo eclético consolidado pela migração estrangeira no pós-Segunda Guerra Mundial. Segundo a professora de Arquitetura e Urbanismo Agnes Yuri Uehara Bezerra, a cidade adotou sistemas construtivos inspirados em países de clima similar, como Suíça e Inglaterra.
Entre os exemplos desse padrão estão os chalés de estilo suíço e a arquitetura Tudor, de origem inglesa. Outro elemento visível é a técnica de enxaimel, que deixa a estrutura de madeira aparente em fachadas, como ocorre no Portal da Cidade e no Palácio Boa Vista, residência de inverno do governo de São Paulo.
Como as migrações moldaram o município?
A construção da Estrada de Ferro Campos do Jordão, inaugurada em 1914, trouxe trabalhadores portugueses para a região, liderados por Sebastião de Oliveira Damas. Posteriormente, após 1939, imigrantes alemães também se estabeleceram na cidade, atuando principalmente nos setores de hotelaria e gastronomia, com pratos que se tornaram marcas locais.
A partir da década de 1960, o crescimento da cidade foi sustentado por operários vindos do Nordeste, especialmente da Bahia, que trabalharam na construção civil. Esses trabalhadores foram responsáveis por erguer hotéis, sanatórios e casas de temporada, expandindo a infraestrutura urbana durante o aquecimento do turismo.
Embora a proximidade geográfica favoreça a presença de mineiros, a migração nordestina foi decisiva para a expansão urbana do período. O desenvolvimento da cidade é, portanto, o resultado do encontro de diferentes fluxos migratórios que transformaram o antigo caminho de transporte de ouro em um dos principais destinos turísticos do país.
