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Educação

Ideb revela queda no desempenho escolar em Campinas nos anos finais do ensino fundamental

Dados de 2025 mostram que rede estadual e municipal enfrentam dificuldades para manter a aprendizagem após o ensino inicial.

Por Redação Diário Local

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025 revelou um cenário de contrastes na educação pública de Campinas (SP). Os dados mostram que, embora os primeiros anos do ensino fundamental apresentem bons resultados, há uma perda de aprendizagem nos anos finais e no ensino médio.

Na rede estadual de Campinas, os anos iniciais do ensino fundamental registraram o índice de 6,5. Já a rede municipal alcançou a marca de 5,8. Segundo a trajetória histórica, os indicadores cresceram até 2019, sofreram queda após a pandemia de Covid-19 e iniciaram uma recuperação parcial em 2025.

Por que os resultados diminuem nos anos finais?

O desempenho dos estudantes cai conforme avançam nas etapas escolares. Nos anos finais do ensino fundamental, o Ideb da rede estadual chegou a 5, enquanto a rede municipal registrou 4,9. A Prefeitura de Campinas informou que a rede estadual detém cerca de 80% das vagas desse nível de ensino.

O ensino médio apresenta os menores índices de toda a avaliação. Em 2025, o Ideb da rede estadual em Campinas foi de 4,3. Não existem escolas municipais que ofereçam essa etapa na cidade.

Cristiane Machado, professora da Faculdade de Educação da Unicamp, aponta que a mudança na organização pedagógica influencia o resultado. Segundo a pesquisadora, nos anos iniciais há maior acompanhamento familiar e menor evasão. Nos anos finais, a divisão por disciplinas e a maior autonomia dos alunos alteram a dinâmica.

De acordo com a pesquisadora, dificuldades que não foram superadas anteriormente tendem a se acumular. Ela avalia que os impactos das avaliações realizadas logo após o fechamento das escolas durante a pandemia estão sendo superados de forma gradual.

O impacto das diferenças sociais na aprendizagem

A desigualdade socioeconômica também reflete nos índices educacionais. Dados do portal QEdu indicam que estudantes de baixo nível socioeconômico possuem percentuais menores de aprendizagem adequada quando comparados aos de nível alto. O fenômeno também é observado em diferenças entre estudantes brancos, pretos, pardos e indígenas.

Para a pesquisadora Cristiane Machado, as condições de vida afetam o acesso a bens culturais e materiais pedagógicos. Ela defende que os resultados das avaliações devem ser usados para direcionar políticas para as escolas e territórios com mais dificuldades.

O que dizem os professores sobre o cotidiano

Professores que atuam na rede pública relatam que os números nem sempre capturam a realidade da sala de aula. Docentes afirmam que muitos alunos chegam às séries avançadas com lacunas em leitura, interpretação de texto e matemática, o que trava o progresso escolar.

O professor José Edson de Souza, que atua na rede estadual desde 2011, mencionou que a rotina passou a ser marcada por atividades digitais e avaliações frequentes. Para ele, o foco deveria ser o acompanhamento individualizado para consolidar o aprendizado, em vez de apenas cumprir tarefas.

Resposta da Secretaria de Educação

Em nota, a Secretaria de Educação de Campinas afirmou que monitora os indicadores de aprendizagem e atribui parte dos desafios aos impactos da pandemia. A pasta informou que adotou medidas para melhorar os resultados, como a criação de um comitê pedagógico e o reforço na formação de professores.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.