Mãe de crianças autistas acusa vereador de ofensas durante sessão na Câmara de Catende
Maria Oliveira afirma que foi insultada após cobrar atendimento para os filhos com autismo na Secretaria de Pessoas com Deficiência.
Por Redação Diário Local
A mãe de duas crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Maria Oliveira, de 34 anos, acusa o vereador Djalma da Saúde (PSDB) de proferir ofensas contra ela durante uma sessão da Câmara Municipal de Catende, em Pernambuco, na terça-feira (25). Maria afirma ter sido insultada com termos como "palhaça", "descompensada" e "gentinha" após reivindicar direitos para os filhos na tribuna parlamentar.
O caso ocorreu durante uma sessão transmitida ao vivo pela TV Mata Sul. Segundo o relato da mãe, ela interrompeu a fala do vereador para cobrar atendimento na Secretaria de Pessoas com Deficiência do município, pasta coordenada por Vanine Rodrigues da Silva, que é esposa do parlamentar. As queixas incluem a falta de suporte no transporte escolar para uma das crianças, que teria tido o pedido de busca domiciliar negado por motorista e monitora.
Maria afirmou que, ao tentar buscar vagas para os dois filhos, recebeu negativas constantes. Ela relatou que procurou a secretária Vanine diversas vezes para relatar as dificuldades enfrentadas pela família, mas não obteve atendimento. De acordo com a mulher, as falas do vereador a levaram a ter uma crise de ansiedade e causaram abalo psicológico.
Durante a sessão, o vereador Djalma da Saúde questionou o uso do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e sugeriu que o grupo de manifestantes utilizaria recursos sociais de forma incorreta. O parlamentar também acusou os envolvidos nas cobranças de usar benefícios para fins de manifestação política e mencionou uma ação por ele chamada de "caravana do autismo".
O que diz o vereador
O parlamentar apresentou um registro de conversa datado de 16 de abril para argumentar que a última interação com Maria teria sido para informar sobre uma mudança da família para a cidade de Recife. Segundo ele, na ocasião, a mãe teria mencionado que outra criança poderia ocupar a vaga que seria deixada pela filha.
Djalma da Saúde afirmou ainda que o município de Catende possui cerca de 400 vagas disponíveis, enquanto há uma demanda de aproximadamente 800 crianças com algum tipo de necessidade especial na cidade. O vereador declarou que já esperava a ida de Maria à tribuna e afirmou que possui documentos e procurações que comprovam o atendimento de famílias por meio de sua iniciativa.
Maria Oliveira negou as acusações do vereador de que estaria sendo paga por políticos para realizar protestos. A mãe afirmou que estava exercendo seu direito de cobrar assistência e que não recebeu qualquer tipo de propina ou incentivo financeiro para participar da mobilização.
Próximos passos
Abalada, Maria declarou que pretende buscar medidas legais e formalizar uma denúncia junto ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Ela criticou a postura do parlamentar, que, apesar de se dizer pai de uma criança autista, não teria demonstrado empatia pela situação vivida por ela.
Moradores de Catende também pretendem organizar uma caminhada em protesto contra as declarações proferidas pelo vereador. Até o momento, a prefeita de Catende, Dona Graça, não se manifestou sobre o ocorrido.
