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Saúde

Calor pode ampliar desconforto e sobrecarga sensorial em pessoas autistas

Temperaturas elevadas podem intensificar irritação e agitação em pessoas com TEA devido à sensibilidade a estímulos como suor e ruídos.

Por Redação Diário Local

As altas temperaturas podem representar um desafio adicional para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), especialmente para aquelas que apresentam alterações no processamento sensorial. O calor pode intensificar o desconforto e favorecer episódios de irritação, agitação ou sobrecarga sensorial.

Fatores como o suor, a sensação de pele quente e o uso de roupas desconfortáveis são gatilhos comuns. Além disso, ruídos de ventiladores ou mudanças na rotina diária podem ampliar o impacto das temperaturas elevadas no bem-estar do indivíduo.

A resposta ao calor varia de forma individual. No caso do TEA, as diferenças no processamento dos estímulos fazem com que as sensações relacionadas à temperatura sejam percebidas de maneira distinta entre as pessoas.

Enquanto alguns indivíduos apresentam maior sensibilidade ao calor, outros podem ter uma percepção menor do desconforto térmico. Essa variação exige atenção personalizada de cuidadores e familiares.

Pesquisas confirmam relação com sensibilidade sensorial

A relação entre o autismo e as alterações sensoriais é documentada por estudos científicos. Uma pesquisa publicada na revista Journal of Autism and Developmental Disorders, com uma amostra de 25.627 crianças autistas, identificou diferenças na resposta a estímulos sensoriais em 74% dos participantes.

Outro estudo, realizado em 2026 com 159 crianças e adolescentes com TEA entre 16 meses e 14 anos, encontrou padrões de processamento sensorial que variam conforme a idade e o funcionamento adaptativo.

Os pesquisadores observaram que, no período pré-escolar, há uma maior presença de comportamentos de busca sensorial e dificuldades no processamento auditivo. Já na faixa entre 8 e 12 anos, foram registrados mais padrões de hipersensibilidade e esquiva sensorial.

Como amenizar o impacto das altas temperaturas?

Especialistas destacam que não existe uma reação única ao calor para todas as pessoas autistas. Por isso, a identificação de sinais individuais é fundamental, principalmente quando a pessoa possui dificuldade para comunicar verbalmente que está sentindo desconforto.

Em períodos de temperaturas elevadas, medidas práticas podem ajudar a mitigar os efeitos. A oferta regular de água e a manutenção de ambientes bem ventilados são recomendações básicas.

O uso de roupas confortáveis e a redução de estímulos que provoquem incômodo também são estratégias importantes. O objetivo é diminuir a carga sensorial imposta pelo ambiente externo.

É indispensável observar sinais de superaquecimento. Caso surjam sintomas que indiquem uma emergência relacionada ao calor, deve-se buscar atendimento médico imediato.

Cenário do autismo no Brasil

O impacto dessas questões sensoriais atinge uma parcela significativa da população brasileira. Segundo dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país possui 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com autismo.

Este levantamento foi o primeiro Censo brasileiro a investigar especificamente a existência de diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista no território nacional.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.